A rejeição à guerra contra o Irã atinge 62% entre os norte-americanos, conforme pesquisa realizada pela Reuters/Ipsos e divulgada no último domingo (26.jul.2026). Este número marca o menor nível de apoio desde o início do conflito, com a maioria da população se manifestando contrária às operações militares no país.
Nos últimos cinco meses, a aprovação à guerra se manteve abaixo de 40%, um patamar que não havia sido superado desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram ataques ao Irã em 28 de fevereiro. Essa queda no apoio contrasta com os níveis de aprovação observados durante os conflitos no Iraque e no Afeganistão, onde cerca de 70% e 90% dos americanos, respectivamente, apoiavam as ações no início das guerras, segundo dados do instituto Gallup.
Desconfiança em relação aos objetivos militares
A pesquisa também revelou que 69% dos entrevistados, incluindo 40% dos republicanos, acreditam que o presidente Donald Trump não explicou claramente os objetivos do envolvimento militar dos EUA no Irã. Ao longo do conflito, Trump variou suas justificativas, mencionando a derrubada do governo iraniano, a destruição das capacidades balísticas do país e a prevenção ao desenvolvimento de armas nucleares.
Além disso, o levantamento registrou um aumento de 3 pontos percentuais na taxa de aprovação de Trump, que passou de 34% para 37%. Este crescimento ocorre após o presidente ter alcançado seu menor nível de aprovação no mês anterior.
Implicações eleitorais e econômicas
O desgaste causado pela guerra pode ter consequências diretas nas eleições legislativas de novembro, quando aliados republicanos buscarão manter a maioria no Congresso. Eleitores independentes demonstraram preferência pelo candidato democrata ao Congresso em relação ao republicano, com uma diferença de 36% a 20%, conforme a pesquisa. Esse grupo também tende a apoiar os democratas em questões de política econômica.
O conflito já impactou a economia, elevando o preço médio da gasolina nos EUA para aproximadamente US$ 4 por galão, em comparação aos cerca de US$ 3 antes do início das hostilidades. Até a data da pesquisa, 18 soldados americanos haviam perdido a vida no conflito, enquanto milhares de vítimas foram registradas no Irã e no Líbano, onde combatentes aliados de Teerã enfrentam forças israelenses.
Durante a campanha para a eleição presidencial de 2024, Trump prometeu evitar que os EUA se envolvessem em conflitos prolongados, prevendo que a guerra contra o Irã duraria entre quatro e cinco semanas. Ele expressou descontentamento com comparações entre essa guerra e a Guerra do Vietnã, que durou duas décadas e resultou na morte de mais de 58 mil soldados americanos.
A pesquisa da Reuters/Ipsos foi realizada entre a sexta-feira (24.jul.2026) e o domingo (26.jul.2026), de forma online com 1.246 adultos norte-americanos, apresentando uma margem de erro de 3 pontos percentuais.
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