A escalada dos conflitos entre os Estados Unidos e o Irã pode elevar as taxas de juros e reduzir o crescimento econômico mundial para até 1,3% em 2026, segundo o economista-chefe do Banco Mundial , Indermit Gill . No ano anterior, a expansão global foi de 2,9%. As declarações de Gill foram dadas durante entrevista depois do aumento das tensões entre Washington e Teerã e o fracasso do acordo de cessar-fogo.

O conflito se intensificou com bombardeios das forças norte-americanas a alvos no sul e oeste do Irã e as ofensivas em resposta. O tráfego marítimo no estreito de Ormuz permanece impactado. Na 3ª feira (21.jul.2026), os rebeldes houthis do Iêmen anunciaram bloqueio naval no estreito de Bab el-Mandeb a cargas da Arábia Saudita.

Segundo a agência Reuters , para o economista-chefe do Banco Mundial, o cenário econômico mais adverso projetado pela instituição, que prevê hostilidades por 6 meses ou mais, está próximo de se concretizar. Nesse cenário, a inflação global acumulada pode alcançar 4,5%. IMPACTOS NO PETRÓLEO E NOS ALIMENTOS A interrupção prolongada no fornecimento de combustíveis e os danos à infraestrutura petrolífera regional também tendem a afetar o envio de fertilizantes, enxofre e hélio para o setor agrícola, agravando a insegurança alimentar.

Gill afirma ainda que países de renda baixa enfrentam maior vulnerabilidade econômica, enquanto nações altamente endividadas devem arcar com o aumento dos custos de empréstimos, o que reduz a capacidade de investimento em saúde e educação. “Minha impressão é que talvez estejamos a poucos meses disso, sabe, porque você ainda não começou a ver as taxas de juros subirem” , afirmou Gill, alertando que a situação dos países endividados é como “um descarrilamento de trem em câmera lenta” . Dados do Banco Mundial indicam que 40% dos países de baixa e média renda, equivalente a 32 nações, estão em situação de estresse financeiro ou com alto risco de endividamento.

O indicador médio de dívida em relação ao PIB desses países alcançou cerca de 74% em 2025, ante a média de 50% a 55% registrada antes da pandemia de coronavírus. O economista-chefe ainda antecipou que algumas economias em desenvolvimento devem precisar do perdão de dívidas em negociações individuais. Países como o Paquistão já solicitaram auxílio financeiro internacional para estabilização de divisas nesta semana.

Segundo Gill, as maiores economias do mundo, como os Estados Unidos, China e Índia, têm se mostrado de certa maneira protegidas do impacto direto do conflito, devido a diferentes fontes de resiliência econômica. Em análise sobre a adoção de novas tecnologias, o Banco Mundial sinalizou que os países em desenvolvimento podem se beneficiar de ganhos de produtividade proporcionados pela inteligência artificial. O estudo estima que cerca de 10% da população de países mais pobres corre o risco de sofrer impactos negativos causados pela automação da IA, em comparação com a taxa de 30% a 40% nas nações mais ricas.