O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT AP/Michael Dwyer, Arquivo O ataque virtual "sem precedentes" divulgado pela OpenAI envolveu dois dos modelos de inteligência artificial mais avançados da empresa. A dona do ChatGPT revelou que eles encontraram um meio de invadir outro sistema. A divulgação do caso acontece semanas após a rival Anthropic dizer que não liberaria a versão plena de seu modelo Claude Mythos por conta do "salto significativo em suas capacidades" para fazer ataques cibernéticos.
Os dois casos indicam os avanços de novos modelos de IA. Mas eles agora conseguem decidir fazer ataques sem precisar de humanos? Afinal, seria possível um robô ficar "rebelde" e decidir atacar uma empresa?
A resposta é "não". Em vez de agirem por conta própria, os modelos apenas tentam alcançar objetivos que recebem, afirmam especialistas. Eles destacam ainda que a ideia de uma IA "perigosa demais" costuma ser explorada por empresas, que tentam demonstrar sua capacidade.
Agora no g1 Para Adriano Carezzato, professor do curso de Inteligência Artificial da Fundação Vanzolini, a ideia de uma inteligência artificial neutra é incompleta, já que ela segue uma espécie de "receita de bolo" em suas atividades. "Quando dizem que a IA “agiu sozinha”, quase sempre estão escondendo a mão humana que apertou o botão para iniciar o modelo. Em todos os casos conhecidos havia uma ordem humana no começo: vencer um teste, ou espionar alvos escolhidos por pessoas", explicou.
Álvaro Machado Dias, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) destacou o fato de o governo dos Estados Unidos ter bloqueado o uso do modelo mais avançado da Anthropic a cidadãos estrangeiros – a medida foi revertida no início de julho. "O que a OpenAI fez esta semana é caçar o seu equivalente desse momento. A diferença decisiva é de encenação: a Anthropic teve o Estado escrevendo seu comunicado; a OpenAI precisou escrever o seu", afirmou.
OpenAI e Anthropic Reuters/Dado Ruvic/Illustration Como aconteceu a invasão? A OpenAI revelou na última terça-feira (21) que testes com o GPT-5.6 Sol, lançado no início de julho, e em um modelo ainda não divulgado levaram à invasão do sistema da Hugging Face, uma plataforma para compartilhamento de modelos de IA. A própria Hugging Face já havia revelado na última quinta-feira (16) que detectou uma invasão feita por um agente de IA.
A empresa afirmou que ação ofereceu acesso indevido a dados e credenciais. O incidente aconteceu durante testes em que OpenAI faz os modelos de IA buscarem falhas em outros sistemas para melhorarem suas capacidade de segurança. Esses experimentos costumam acontecer em ambientes controlados, mas com uma versão sem as barreiras de proteção que costumam existir em modelos disponíveis para usuários comuns.
Em seu comunicado, a OpenAI afirmou que o GPT-5.6-Sol e o sistema que ainda será lançado atuaram em conjunto para encontrar brechas no ambiente de pesquisa da empresa e na infraestrutura da Hugging Face. Modelos de IA atuaram em conjunto para encontrar brechas em sistema, disse a OpenAI Kevin Horvart/Unplash A Hugging Face, por sua vez, disse que sua plataforma executou dois códigos enviados por um agente de IA, que então conseguiu aumentar suas permissões na infraestrutura da empresa e obter credenciais para atacar outros sistemas internos.
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