O setor de cuidados com animais de estimação no Japão está em plena ascensão, com a quantidade de pets ultrapassando a de crianças menores de 15 anos por mais de 2 milhões. Essa mudança demográfica tem levado fabricantes de produtos para bebês a redirecionar suas atenções para o mercado pet, especialmente em um contexto de queda acentuada na taxa de natalidade do país.
Transformação do mercado e inovações
Shin Ohta, um vendedor da Lucky Industries, uma das mais antigas fabricantes de carregadores de bebês do Japão, teve uma ideia inovadora durante um passeio com seu poodle toy em Ikeda, na Prefeitura de Gifu. Com o peso do animal se tornando um desafio, Ohta questionou se a experiência da empresa em carregadores poderia ser aplicada a pets. Após consultar um veterinário, ele ajudou a lançar a linha de carregadores para cães Nu-i em 2022.
Recentemente, a Lucky Industries participou da conferência Interpets, realizada em Tóquio, que reúne diversas marcas do crescente mercado de cuidados com animais. Durante o evento, os visitantes puderam encontrar desde secadores para pets até guloseimas orgânicas para gatos. Muitos dos animais presentes eram transportados em carrinhos decorados ou em slings, demonstrando a humanização dos pets no Japão.
O impacto da queda na natalidade
De acordo com a Euromonitor, o mercado de cuidados para pets no Japão deve atingir 880 bilhões de ienes (cerca de 5,4 bilhões de dólares) em 2025, um aumento significativo em relação aos 689,6 bilhões de ienes (4,2 bilhões de dólares) em 2020. Com o número de crianças em declínio, empresas que tradicionalmente se concentravam na venda de produtos para bebês, como fraldas e carrinhos, estão agora focando em atender o crescente público pet.
A Unicharm, fabricante conhecida por produtos de higiene pessoal, também se adaptou a essa nova realidade. A empresa, que entrou no mercado de fraldas para pets em 2001, viu sua divisão de cuidados com animais se tornar um dos principais motores de crescimento, com uma margem de lucro de 15,4% em 2025. A empresa planeja aumentar essa participação de 17% para 20% até 2030.
Isshu Uehara, porta-voz da Unicharm, destacou que o declínio da natalidade e mudanças no estilo de vida, como o aumento de lares unipessoais e casais sem filhos, levam as pessoas a buscar conexões emocionais por meio de seus animais de estimação. Essa tendência tem impulsionado a humanização dos pets, fazendo com que os donos busquem produtos premium para prolongar a vida de seus animais e compartilhar experiências com eles.
A socióloga Barbara Holthus observa que a humanização dos pets é um reflexo das novas estruturas familiares no Japão, onde os animais de estimação assumem papéis variados, desde companheiros até substitutos de filhos ou parceiros. Essa dinâmica, impulsionada por fatores como a solidão e a urbanização, torna o Japão um exemplo claro dessa tendência em evolução.
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