A inflação de junho foi de 0,16%, a menor taxa para o mês em três anos, conforme dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No entanto, essa taxa ainda está acima do teto da meta de 4,5% ao ano fixada pelo Banco Central.

Os alimentos, que frequentemente têm sido vilões da inflação, contribuíram para a desaceleração em junho. O preço do café, que havia subido consideravelmente nos meses anteriores, apresentou a maior queda desde o ciclo de alta no primeiro semestre de 2025. Frutas e carnes também registraram redução nos preços, aliviando a pressão inflacionária.

A fisioterapeuta Patrícia Portela Magaldi destacou que, em algumas semanas, as frutas estão mais baratas, permitindo que ela compre uma quantidade maior. Apesar desse alívio, a alimentação subiu 4,56% no acumulado do ano, refletindo um desafio significativo para as famílias, especialmente as de baixa renda.

Cenário de inflação e desafios para as famílias

André Braz, economista do FGV/Ibre, ressaltou que, embora a inflação média reajuste os salários, a alta nos preços dos alimentos gera um impacto maior nas finanças das famílias. “Se o salário é corrigido pela média, mas a alimentação subiu muito acima da média, as famílias constatam que estão desembolsando mais para comprar a mesma quantidade de alimentos”, explicou.

A servidora pública Gabriela Coelho também comentou sobre a dificuldade em perceber a diferença no bolso, apesar dos índices. A inflação de junho, embora tenha apresentado uma melhora em relação a maio, quando foi de 0,58%, continua a ser um tema de preocupação.

Pressões sobre a inflação e perspectivas futuras

Alguns alimentos básicos apresentaram aumento de preços, como o feijão-carioca e a batata-inglesa. No entanto, a queda nos preços de outros itens, como frutas e carnes, ajudou a conter a inflação geral. Os custos com habitação, por outro lado, foram os que mais impactaram o IPCA, com a energia elétrica subindo novamente.

Em relação aos transportes, enquanto os preços dos combustíveis apresentaram recuo, as passagens aéreas continuam elevadas. Nos últimos 12 meses, a inflação acumulou 4,64%, acima do limite desejado e próximo do teto da meta.

José Ronaldo de Castro Souza Junior, economista e professor do Ibmec, afirmou que o atual cenário de inflação é preocupante. “O ideal é que ela estivesse abaixo do teto da meta, em um nível mais confortável, para que pudéssemos reduzir a taxa de juros”, comentou.