O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, criticou nesta sexta-feira (10) a decisão do Banco Central (BC) de manter a taxa básica de juros em 14,25% ao ano. Em entrevista ao programa No Osso, promovido pelo grupo Derrubando Muros, Haddad argumentou que essa postura está gerando um problema desnecessário e que o ciclo de cortes na taxa deveria ter iniciado anteriormente.

Segundo Haddad, a Selic não precisava ter atingido 15% no ano passado. Ele destacou que suas principais objeções à política monetária atual são o patamar elevado da taxa e o atraso no início da sua redução. Para ele, essa situação impacta diretamente as contas do Estado, afirmando: “O que está endividando o Estado é a taxa de juros, não é outra coisa”.

Impactos da taxa de juros nas contas públicas

Na mesma entrevista, o ex-ministro defendeu a necessidade de uma redução da taxa de juros, argumentando que um superávit primário não seria suficiente para compensar os altos níveis da Selic. Haddad chamou a atenção para a relação entre a política monetária e o endividamento do Estado, sugerindo que a atual taxa de juros pode estar contribuindo para um cenário fiscal desfavorável.

Haddad também mencionou que, pela primeira vez em muitos anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviará ao Congresso, ao final do seu mandato, uma proposta de Orçamento com superávit. Ele ressaltou que essa situação não ocorria desde o segundo mandato de Lula, o que, segundo ele, é um sinal positivo para a economia.

Perspectivas para a política monetária

De acordo com Haddad, a continuidade do saneamento das contas públicas, que se deterioraram entre 2013 e 2022, pode abrir espaço para mudanças na política monetária após as próximas eleições. Ele acredita que o avanço do ajuste fiscal permitirá um retorno à normalidade na política de juros, facilitando um ambiente econômico mais estável.

As declarações de Haddad ocorrem em um momento em que o debate sobre a política monetária e as contas públicas se intensifica no Brasil. O ex-ministro, com sua experiência na Fazenda, busca pautar a discussão sobre a necessidade de uma revisão na condução da política de juros, visando um equilíbrio fiscal e econômico.

Fonte: Estadão Conteúdo