O primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, convocou uma reunião de segurança urgente após os bombardeios realizados por Estados Unidos e Arábia Saudita contra alvos associados a grupos apoiados pelo Irã em território iraquiano. O comunicado foi divulgado nesta quarta-feira (29).
Os ataques aéreos ocorreram poucas horas após os Estados Unidos afirmarem ter interceptado um ataque surpresa do Irã direcionado a tropas americanas no Oriente Médio. De acordo com o Comando Central dos EUA (CentCom), mísseis balísticos lançados pelo Irã foram abatidos com sucesso. A Guarda Revolucionária iraniana alegou ter disparado mísseis contra instalações militares americanas na Jordânia.
Resposta de Washington e Riad
Em resposta às ações do Irã, Washington e Riad anunciaram ataques coordenados a locais no leste do Iraque, que, segundo os dois países, eram utilizados por grupos ligados ao Irã para planejar ataques com drones contra instalações petrolíferas sauditas. A Arábia Saudita enfatizou que a operação foi uma resposta a recentes ataques a estruturas de energia no reino, afirmando que não busca uma escalada do conflito, mas que reagirá a novas agressões.
A Autoridade de Mobilização Popular do Iraque (PMF, na sigla em inglês) informou que vários de seus quartéis-generais em diferentes regiões do país foram atingidos. Em um comunicado, a organização afirmou que os ataques resultaram em mortos e feridos, além de danos materiais em prédios e instalações. Embora a PMF faça parte das forças armadas iraquianas, algumas de suas facções, que são pró-Irã, operam de forma autônoma.
Tensões aumentam no cenário regional
A nova onda de ataques eleva o risco de uma ampliação do conflito regional, especialmente após um período de relativa calmaria. O Irã negou qualquer envolvimento nos ataques a alvos sauditas e considerou como um "grande erro de cálculo" as acusações de que estaria por trás das ações contra interesses americanos e sauditas na região.
Além disso, o aumento das tensões repercutiu no mercado internacional, com os preços do petróleo subindo mais de US$ 3 por barril nesta quarta-feira, devido a preocupações com uma possível escalada do conflito.
Os ataques ocorrem em meio a uma disputa sobre o controle do estreito de Ormuz, uma rota estratégica por onde passa uma parte significativa do petróleo e do gás natural liquefeito transportados por via marítima no mundo. Nesta quarta-feira, o Irã rejeitou uma proposta apresentada por Omã para uma gestão regional compartilhada dessa passagem marítima, considerada uma das mais importantes para o comércio global de energia.
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