O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, declarou que a paz entre Teerã e Washington está condicionada ao fim dos ataques de Israel ao Líbano. A afirmação foi feita em um post na plataforma X no último domingo.
Condições para a paz
Khamenei afirmou que o Irã considera a preservação da integridade territorial do Líbano e a "terminação absoluta e incondicional" das agressões israelenses como pré-requisitos para qualquer acordo que vise encerrar a guerra imposta pelos EUA. Ele também expressou apoio ao grupo libanês Hezbollah, ao ex-líder Hassan Nasrallah e ao povo do sul do Líbano, que tem sido o alvo dos ataques israelenses.
Em suas declarações, Khamenei enfatizou que a defesa dos "opressos, mas poderosos mujahideen [do Hezbollah]" é um mandato estratégico do Irã. Sua intervenção ocorre em um momento em que há relatos de uma pausa nos ataques e um renascimento da diplomacia entre Irã e Estados Unidos.
Histórico recente e tensões no Líbano
Teerã tem insistido que Israel deve cessar suas operações no Líbano como condição para o Irã encerrar sua guerra com os Estados Unidos. Esta exigência foi formalizada na primeira cláusula do memorando de entendimento assinado entre Irã e EUA em junho, que posteriormente entrou em colapso devido a uma disputa sobre o Estreito de Ormuz.
O Líbano foi arrastado para o conflito em março, quando o Hezbollah lançou ataques contra o norte de Israel, citando o assassinato do então Líder Supremo Ali Khamenei no primeiro dia da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, e os bombardeios quase diários de Israel ao território libanês, que o Hezbollah afirma ter violado um cessar-fogo estabelecido após um ciclo anterior de hostilidades em 2024.
Em 26 de junho, após a assinatura do memorando entre EUA e Irã, o Líbano e Israel firmaram um acordo de estrutura mediado pelos EUA, que previa uma retirada gradual das forças israelenses do território libanês ocupado, mas sem um cronograma definido. O acordo estipulava que Israel se retiraria das áreas ocupadas apenas após o desarmamento do Hezbollah, que não participou das negociações e rejeitou o acordo.
Enquanto a primeira fase previa a retirada de Israel de três "zonas piloto", o exército libanês informou que as forças israelenses estão obstruindo esse processo, incluindo a recusa em se retirar de áreas designadas. Até domingo, Israel continuava a realizar operações de escavação, bombardeios e ações com metralhadoras em grandes áreas do território libanês sob ocupação.
Desde o início da nova onda de violência no Líbano, pelo menos 4.329 pessoas foram mortas, além de 37 soldados israelenses e quatro civis israelenses. A ONU reportou que Israel violou um cessar-fogo anterior com o Hezbollah mais de 10.000 vezes.
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