O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da China, Xi Jinping, realizaram uma conversa telefônica na noite deste domingo (26), onde destacaram a importância de aprofundar a cooperação bilateral em áreas estratégicas. O diálogo, que durou mais de uma hora, também focou na aceleração das negociações para um acordo entre o Mercosul e a China.
Cooperação em setores estratégicos
Segundo comunicado do Palácio do Planalto, durante a conversa, os líderes abordaram a implementação de projetos de desenvolvimento e expressaram interesse em expandir parcerias em setores de alta tecnologia, como inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes.
A nota oficial não mencionou a expectativa de que os líderes discutissem as tarifas recentemente anunciadas pelo governo Trump contra o Brasil e outros parceiros comerciais.
Impactos do comércio bilateral e questões internacionais
Lula reiterou o comprometimento do governo brasileiro com a diversificação de mercados e parcerias comerciais. Os presidentes também ressaltaram os resultados positivos do comércio bilateral e as iniciativas culturais promovidas por ambos os países ao longo do ano. Um ponto destacado foi o impacto do acordo de isenção de vistos para viagens de curta duração, que deve facilitar o fluxo de turistas e criar novas oportunidades de negócios.
Em relação a temas internacionais, os líderes expressaram preocupação com o aumento de conflitos globais e seus efeitos na segurança alimentar e energética. Eles lamentaram as perdas humanas e materiais resultantes dessas crises, especialmente no contexto do Oriente Médio, onde discutiram as restrições à livre navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb, que impactam negativamente a economia mundial, além da crise humanitária em Gaza.
Outro tópico abordado foi a guerra na Ucrânia, onde Lula e Xi concordaram que o Grupo de Amigos da Paz pode desempenhar um papel importante nas negociações para a resolução do conflito. Esta iniciativa diplomática foi lançada por Brasil e China em setembro de 2024 na ONU, reunindo países do Sul Global para promover uma solução política.
Os presidentes também criticaram a ineficiência do Conselho de Segurança da ONU em lidar com as crises internacionais e avaliaram que o próximo secretário-geral da organização enfrentará desafios significativos.
Ao final da conversa, Lula e Xi reafirmaram o compromisso de Brasil e China com a defesa do multilateralismo e concordaram em manter uma coordenação próxima em fóruns internacionais, como a ONU e os Brics. A conversa ocorre em um momento em que Lula tem enfatizado a necessidade de diversificar as relações comerciais do Brasil. Em um artigo publicado no jornal The Washington Post, o presidente classificou as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros como um “erro estratégico” e afirmou que o país buscará alternativas para ampliar investimentos e parcerias econômicas.
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