O presidente francês Emmanuel Macron convocou uma reunião de gabinete de crise na segunda-feira, enquanto incêndios florestais se aproximam da cidade de Bordeaux, no sudoeste da França. O fogo está a cerca de 15 km da cidade, conforme informou o prefeito Thomas Cazenave. Até o momento, não há planos de evacuação para a população de aproximadamente 850 mil habitantes.
Nos últimos dias, incêndios devastadores têm afetado a Europa, especialmente na França e na Espanha, resultando na evacuação de mais de 330 mil pessoas em ambos os países. Macron declarou no sábado que a França irá "reconstruir" e que seu governo estará presente "pelo tempo que for necessário".
Incêndios e previsões climáticas complicam a situação
De acordo com o ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, a situação continua "muito desfavorável", com o fogo se movendo de forma "errática" em direção à cidade. A previsão do tempo indica que as temperaturas podem chegar a 40°C em algumas áreas a partir de terça-feira, complicando ainda mais os esforços de combate ao incêndio.
O principal incêndio no estado de Gironde causou um fenômeno raro chamado "pirocumulonimbus", uma tempestade de fogo alimentada por seus próprios ventos e relâmpagos, como relatou a Federação Nacional de Bombeiros da França (FNSPF). O porta-voz Eric Brocardi afirmou que é incerto como o incêndio se espalhará, descrevendo a situação como um "cenário de Davi contra Golias".
Impactos e evacuações na Espanha
Enquanto isso, na Espanha, equipes de bombeiros enfrentaram um novo incêndio no domingo, próximo à cidade costeira de Valência, forçando cerca de 15 mil pessoas a deixarem suas casas. Pilar Bernabe, delegada do governo central em Valência, classificou o incêndio como "muito intenso" e indicou que as condições climáticas devem piorar.
O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, planeja visitar as áreas afetadas em Valência na segunda-feira. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, alertou sobre "horas difíceis pela frente" e pediu um "grande pacto público sobre a emergência climática". O rei Felipe VI também destacou os danos "incalculáveis" causados aos patrimônios naturais do país durante uma visita a um abrigo de emergência em Villamanta, ao sul da capital.
Até o momento, cerca de 77 mil hectares foram afetados pelos incêndios na Espanha, com a ministra de transição ecológica, Sara Aagesen, afirmando que o incêndio na região de Ávila é o maior da história recente do país. Entre os evacuados está Olga Congacha, de 50 anos, que foi forçada a deixar rapidamente sua vila em Robledo de Chavela, a oeste de Madrid, e descreveu a experiência como "apavorante".
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