O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reunirá nesta segunda-feira (27) com o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para discutir a relação entre os dois países. A convocação ocorre após o discurso do presidente argentino Javier Milei durante a convenção do Partido Liberal (PL) no último sábado (25).
No domingo (26), o governo brasileiro decidiu chamar Bitelli para consultas em Brasília, com o embaixador previsto para chegar ao país na manhã desta segunda. Além disso, o Itamaraty convocou o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para expressar a insatisfação do governo brasileiro e solicitar esclarecimentos sobre as declarações de Milei.
Declarações de Milei geram reações no governo brasileiro
O chanceler Mauro Vieira classificou as falas de Milei como "ríspidas, grosseiras e inaceitáveis", afirmando que foram uma "interferência em assuntos domésticos". Vieira ressaltou que não há precedentes recentes de um chefe de Estado estrangeiro se manifestando dessa forma em território brasileiro.
O governo brasileiro considera a convocação de um embaixador para consultas uma medida de forte impacto nas relações internacionais, indicando a necessidade de esclarecimentos sobre uma atitude considerada hostil. O chanceler evitou, por ora, medidas diplomáticas mais severas, como a retirada da representação brasileira da Argentina, enfatizando a importância de manter canais de diálogo.
"A retirada de embaixadores é um passo de grande gravidade", declarou Vieira. "Precisamos de explicações do governo argentino sobre o porquê do presidente da Argentina fazer esse tipo de manifestação e declarações inaceitáveis em território brasileiro".
Contexto do discurso de Milei
Durante sua participação na convenção do PL, Milei criticou o socialismo, exaltou a "onda azul" na América do Sul e se referiu ao ministro do STF, Alexandre de Moraes, de forma depreciativa, após a negativa de uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O argentino também atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de "presidiário".
O discurso de Milei, que promoveu uma crítica ao governo brasileiro e uma defesa de políticas liberais, ocorre em um contexto de crescente tensão política na América Latina, onde diversos países estão revisitando suas alianças e políticas econômicas.
Em resposta, o presidente do STF, Edson Fachin, repudiou as declarações de Milei, considerando-as uma "referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro". Fachin ressaltou a autonomia do Judiciário e lamentou as manifestações que fogem ao padrão de civilidade nas relações entre os Estados.
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