O emir do Catar, xeque Hamad bin Khalifa al-Thani, discursa durante a cerimônia da COP18 em Doha, no Catar, em 4 de dezembro de 2012 REUTERS/Fadi Al-Assaad O ex-emir do Catar, Sheikh Hamad bin Khalifa Al-Thani, líder que tinha tendência à modernização do país após assumir o poder em 1995 e por romper a tradição ao transferir o comando para o filho 18 anos depois, morreu aos 74 anos. O Amiri Diwan, principal órgão do governo do Catar, informou que Sheikh Hamad morreu na manhã deste domingo (12). A causa da morte não foi divulgada.

O Catar herdado pelo atual emir, xeque Tamim bin Hamad Al-Thani, já havia sido profundamente transformado pelo pai. Sheikh Hamad comandou um dos períodos mais marcantes da história do país, liderando uma rápida transformação do pequeno Estado desértico que mudou sua economia, ampliou sua projeção internacional e elevou suas ambições políticas. Conhecido por seu perfil firme e independente, afirmou em um discurso durante sua abdicação, em 2013, que queria abrir espaço para uma nova geração "com suas ideias inovadoras e energias ativas".

Ele foi o principal responsável pela estratégia de desenvolvimento da infraestrutura de gás natural liquefeito (GNL) do Catar, que permitiu ao país levar suas vastas reservas de gás aos mercados internacionais. A iniciativa transformou o emirado em um dos maiores exportadores mundiais do combustível e lançou as bases de sua riqueza. Agora no g1 Também criou a rede de televisão Al Jazeera, que ampliou a influência do Catar na política árabe e projetou o país muito além da região do Golfo.

Sob seu governo, o Catar conquistou o direito de sediar a Copa do Mundo de 2022, iniciativa que consolidou sua presença no cenário internacional e impulsionou uma década de obras de infraestrutura que remodelaram a capital, Doha. Papel do Catar como mediador A política externa conduzida por Sheikh Hamad consolidou o Catar como mediador em conflitos internacionais. O país participou de negociações relacionadas a crises no Líbano, Iêmen e Darfur, ao mesmo tempo em que manteve relações com os Estados Unidos — que abrigam no Catar o Comando Central das Forças Armadas americanas —, com o Irã e com grupos alinhados a Teerã.

Essa estratégia abriu caminho para o papel desempenhado atualmente pelo Catar nas negociações entre Estados Unidos e Irã e nos esforços para tentar encerrar a guerra na Faixa de Gaza Durante as revoltas da Primavera Árabe, em 2011, o Catar teve atuação destacada e controversa ao apoiar movimentos revolucionários e grupos islâmicos na região. Enquanto Doha afirmava apoiar as demandas populares por mudanças políticas, críticos acusavam o país — e Sheikh Hamad — de favorecer seletivamente grupos alinhados a seus interesses, especialmente organizações ligadas à Irmandade Muçulmana. A postura provocou atritos com outras monarquias do Golfo, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que viam muitos desses movimentos como uma ameaça à estabilidade regional e aos regimes monárquicos.

A política ampliou a influência regional do Catar, mas também aprofundou as tensões com seus vizinhos e deixou um legado que continua a influenciar a política do Golfo.