A morte do senador Lindsey Graham, ocorrida no último sábado aos 71 anos devido a uma dissecção aórtica, trouxe à tona a gravidade dessa condição médica rara e potencialmente fatal. Embora detalhes sobre seu diagnóstico e tratamento ainda não tenham sido divulgados, especialistas expressam preocupação sobre os cuidados recebidos pelo senador.

Questões sobre o atendimento recebido

Mark Peterson, diretor do sistema de cirurgia aórtica da NYU Langone Health, questionou se Graham teve acesso a exames adequados, como ecocardiogramas e estudos de imagem, que poderiam ter identificado sinais de aorta dilatada ou aneurismas. Ele mencionou que muitos pacientes que frequentam sua clínica relatam ter sido diagnosticados com aorta dilatada, mas não receberam a devida orientação sobre o risco.

“Se ele fez esses exames, quais foram as recomendações da equipe médica?”, indagou Peterson. A dissecção aórtica, embora abrupta, não surge de forma repentina; pode levar anos para se desenvolver e é mais comum em homens com idades entre 50 e 60 anos, sendo rara após os 80.

Desafios na previsão de riscos

Joanna Chikwe, chefe de cirurgia cardíaca no Smidt Heart Institute, destacou que a identificação de quem está mais propenso a sofrer uma dissecção ainda é uma das maiores incógnitas na área médica. “Melhorar a previsão de riscos, combinando genética, fatores clínicos e inteligência artificial, será um dos maiores avanços na prevenção de dissecções aórticas na próxima década”, afirmou.

Pacientes com aterosclerose são vulneráveis a danos súbitos causados por pressão arterial alta, que endurece e estreita as artérias. A dilatação da aorta é um indicador importante, mas não é perfeito. Quando os exames mostram que a aorta está se alargando, recomenda-se que os pacientes evitem atividades que possam comprometer a integridade dos vasos sanguíneos.

Eric Topol, cardiologista e diretor do Scripps Research Translational Institute, mencionou que muitos casos de dissecção ocorrem em pacientes que não apresentam sintomas prévios. “Estamos muito aquém na previsão de quem pode progredir de uma aorta alargada para uma dissecção”, ressaltou.

Estima-se que 20 mil dissecções aórticas ocorram anualmente nos Estados Unidos, com metade dos casos sendo fatais. A história familiar é um fator de risco significativo, e cerca de 20% dos pacientes com aneurismas ou dissecções têm um parente de primeiro grau que sofreu de doenças semelhantes.

Importância da detecção precoce

Os especialistas recomendam que mortes súbitas inexplicáveis ou casos de aneurisma torácico em familiares devem ser discutidos com médicos, considerando a possibilidade de testes genéticos. Embora as dissecções aórticas sejam uma condição rara, sua detecção precoce pode salvar vidas.

Graham, que perdeu o pai para um ataque cardíaco aos 60 anos, ilustra a importância da história familiar na avaliação de riscos. “A dissecção aórtica é uma bomba-relógio silenciosa”, afirmou Peterson, enfatizando que uma vez que a aorta se rompe, é uma emergência cirúrgica crítica.