A NASA apresentou um novo modelo geoid que demonstra a forma do campo gravitacional da Terra, destacando que o planeta não é tão esférico quanto se imagina. Esta visualização, que se afasta da famosa imagem da Terra como uma esfera azul vista do espaço, ilustra as ligeiras protuberâncias e depressões resultantes da distribuição desigual de massa dentro do planeta.

O modelo é uma versão exagerada do geoid, com as elevações multiplicadas por um fator de 10.000 para evidenciar as variações no campo gravitacional. Para criar essa representação irregular da Terra, a NASA utilizou dados de satélites capazes de detectar pequenas diferenças na gravidade em diversas localidades. O conjunto de dados abrange um período de 15 anos e inclui cerca de um bilhão de observações.

Implicações das medições gravitacionais

As medições da gravidade têm importância que vai além de criar visuais impactantes. Tanto a NASA quanto a Agência Espacial Europeia mantêm satélites que monitoram o campo gravitacional do planeta. Essas observações são fundamentais para entender a perda de gelo na Antártica e na Groenlândia em decorrência do aquecimento global.

Os satélites da NASA, que fazem parte do Experimento de Recuperação da Gravidade e Clima (GRACE), mostram que a Antártica perdeu aproximadamente 135 gigatoneladas de gelo por ano entre 2002 e 2025, enquanto a Groenlândia perdeu cerca de 264 gigatoneladas anualmente no mesmo período. Melhorar essas estimativas é crucial para avaliar o aumento do nível do mar atualmente e as projeções futuras.

Monitoramento da água e secas globais

Além de monitorar o derretimento das calotas polares, as observações do GRACE também têm sido utilizadas para rastrear a perda de água subterrânea e a ocorrência de secas em várias partes do mundo. Os dados mostram um esgotamento de água subterrânea a longo prazo, especialmente no oeste dos Estados Unidos e em outras regiões.

Informações sobre secas mais agudas também podem ser extraídas dos dados do GRACE. A severa seca que contribui para incêndios na Espanha e na França neste verão é visível nas medições gravitacionais. Uma análise da Universidade de Nebraska, utilizando observações gravitacionais, indica que a umidade do solo e a água subterrânea rasa estão em níveis recordes de baixa em algumas partes da região.

Com as mudanças climáticas previstas para agravar a situação de secas em diversas localidades, as observações gravitacionais podem oferecer informações valiosas para gestores de água em regiões afetadas pela aridez.