Os bombeiros enfrentam um novo desafio nos incêndios devastadores que atingem a França: as imensas nuvens de fogo, que podem gerar seus próprios ventos e até relâmpagos, provocando novos focos de incêndio. Conhecidas como nuvens de fogo ou pyrocumulonimbus, essas tempestades ameaçadoras são formadas por incêndios florestais extremos e podem agravar condições já perigosas.
Esse fenômeno, ainda novo na França, é mais uma consequência das mudanças climáticas induzidas pelo ser humano, conforme explica o pesquisador francês Jean-Baptiste Filippi, especialista em incêndios florestais. Enquanto os bombeiros no sudoeste da França lutam para controlar um incêndio florestal antes que uma nova onda de calor atinja o país, Filippi compartilhou suas observações sobre o fenômeno.
O que é uma nuvem de fogo?
Uma nuvem de fogo é uma tempestade que se forma quando uma coluna de ar se eleva acima de um incêndio. Inicialmente, ela começa como uma pequena nuvem branca — uma nuvem cúmulo, que se forma quando o vapor d'água se transforma em pequenas gotículas. À medida que o sol aquece o solo, o vapor d'água se condensa rapidamente, transformando a nuvem cúmulo em uma nuvem muito maior, que contém milhares de toneladas de água suspensa.
Quando o ar ao redor aquece o suficiente, forma-se uma coluna com uma nuvem em forma de bigorna — a cumulonimbus. Isso condensa ainda mais ar e gera mais energia, com correntes ascendentes que podem ultrapassar 150 quilômetros por hora. Em seguida, ocorre a precipitação, mas a chuva evapora antes de atingir o solo, resfriando a atmosfera onde cai e criando fortes correntes descendentes.
São raras as nuvens de fogo?
Esse fenômeno é comum em lugares como Portugal, Califórnia e Austrália, onde os bombeiros estão mais familiarizados com eles. Em Portugal, as nuvens de fogo eram raras até os incêndios mortais de 2017 em Pedrógão Grande, que mudaram essa realidade. Na França, as nuvens pyrocumulonimbus são bastante novas. Embora algumas tenham sido registradas em Landiras, ao sul de Bordeaux, em 2022, sua ocorrência foi breve. Portanto, é necessário aprender a gerenciar incêndios que criam seus próprios ventos, algo relativamente inédito.
O papel das mudanças climáticas
As mudanças climáticas são, de fato, um fator contribuinte. Uma consequência do aquecimento global é a maior frequência de ondas de calor. Embora tempestades sejam comuns na região afetada pelos incêndios, a combinação de condições de tempestade após três ondas de calor consecutivas é uma novidade.
Quanto à previsibilidade, os serviços meteorológicos podem prever tempestades, mas como essas tempestades se localizam diretamente acima de um incêndio, é necessário conhecer a localização exata do fogo com antecedência, o que é impossível. Podemos prever as condições que levarão a esses incêndios, mas não saberemos exatamente onde eles ocorrerão. O maior desafio é a imprevisibilidade. O incêndio na região da Gironde, no sudoeste da França, começou com ventos do norte, depois do oeste, do sul, do leste e assim por diante, resultando em condições catastróficas e uma taxa de propagação do fogo alarmante.
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