Sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris), dono de um canto melodioso Leonardo Vilela e Márcio de Campos Quem vive na cidade de São Paulo durante a primavera já pode ter vivenciado, mesmo sem perceber, um fenômeno curioso: o canto alto e melodioso do sabiá-laranjeira interrompendo o silêncio no meio da madrugada. O hábito da espécie é o foco central de uma pesquisa do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), apoiada pelo Instituto Serrapilheira. O projeto busca entender por que essas aves, que normalmente cantam no início da manhã, estão cantando fora do horário esperado na metrópole, e quer a ajuda de alunos de anos finais do ensino fundamental para encontrar a resposta.

(Entenda mais abaixo.) Ana Paula Assis, que é professora do IB-USP e responsável pela pesquisa, explica que a ideia é utilizar a metodologia de ciência cidadã — que ocorre quando pessoas que não são formalmente treinadas no processo científico fazem parte da pesquisa científica — para obter as informações de observação necessárias. Neste caso, os cidadãos participantes serão os próprios estudantes. "São Paulo é uma cidade muito grande e seria muito difícil conseguir acesso para colocar gravadores em vários lugares", diz a pesquisadora.

A participação de estudantes também traz outros benefícios, já que, ao envolver as escolas, a pesquisa consegue uma distribuição de dados muito mais ampla. Agora no g1 "Além disso, nós queremos aproximar os estudantes da observação, da natureza, trazendo o deslumbramento com o meio natural. Muitas vezes a criança mora aqui na cidade de São Paulo e nunca parou para observar um pássaro.

Esperamos despertar essa curiosidade", explica. Como surgiu a ideia do projeto A ideia do estudo surgiu de uma observação cotidiana da própria Ana Paula Assis. A pesquisadora percebeu que sempre ouvia o canto da ave após a 1h da manhã, mas ainda ao longo da madrugada, horário diferente do esperado para a espécie.

"Comecei a me perguntar 'por que essa ave está cantando nesse horário?', porque o canto de um pássaro serve, em muitos casos, para atrair a fêmea", explica Ana Paula. A bióloga diz que a maior parte dos pássaros vocaliza na alvorada, no início da manhã, para se comunicar e defender território. No entanto, em São Paulo, o comportamento parece confuso e fora de sincronia com a natureza.

E então, a parceria entre a USP e o Instituto Serrapilheira trouxe a oportunidade de transformar a curiosidade em pesquisa, com base em dados científicos captados com a ajuda de quem vive a cidade. Janela silenciosa e o impacto do ruído urbano Os pesquisadores trabalham com a hipótese de que a urbanização desenfreada influencia diretamente o comportamento das aves. Estudos internacionais, como um realizado na Alemanha perto de aeroportos, sugerem que pássaros antecipam o canto para evitar o barulho das aeronaves.

Em São Paulo, a poluição sonora e a poluição luminosa são os principais suspeitos de "bagunçar" o relógio biológico do sabiá-laranjeira. Sabiá-laranjeira faz ninho em semáforo no Rio de Janeiro. Imagem de 2023.

TV Globo Resultados preliminares já mostram uma mudança radical dependendo da localização.