A Receita Federal publicou nesta segunda-feira (21) a Instrução Normativa nº 2.344/2026, que regulamenta dispositivo da Lei Complementar nº 235/2026, aprovada em agosto como parte das medidas para reduzir o impacto da alta internacional do petróleo sobre os preços dos combustíveis.

Detalhes da medida

A norma autoriza usinas e cooperativas produtoras de etanol a utilizar saldos credores de PIS e Cofins gerados no regime não cumulativo para quitar débitos de outros tributos federais, incluindo a recém-instituída CBS.

Atualmente, esses créditos costumam permanecer parados nos balanços das empresas, já que só podem ser usados para abater as próprias contribuições.

O benefício terá limite global de R$ 750 milhões em 2026. Para ter acesso, as empresas devem apresentar pedido de habilitação à Receita Federal até 4 de outubro, exclusivamente em formato digital, e utilizar os créditos até 31 de dezembro.

Caso o volume de solicitações ultrapasse o limite, o montante será rateado conforme a participação de cada produtor no volume de etanol hidratado fabricado em 2025.

Pontos importantes

Segundo o sócio da área tributária de Santos Neto Advogados, Henrique Erbolato, a medida ‘devolve liquidez a um setor pressionado pela necessidade de manter o etanol competitivo frente à gasolina. Mas o prazo é curto, e as empresas precisam conciliar rapidamente seus saldos na EFD-Contribuições para não ficar de fora’, afirma.

Existem três pontos de atenção: quem pode usar, o que muda e o limite e rateio.

Quem pode usar: pessoas jurídicas produtoras de etanol e suas cooperativas, com créditos apurados na forma das Leis nº 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.925/2004.

O que muda: normalmente esses saldos acumulados só abatem o próprio PIS/Cofins e ficam parados no balanço. Com a medida, passam a poder quitar qualquer tributo federal administrado pela Receita, o que gera caixa imediato.

Limite e rateio: o teto global é de R$ 750 milhões em 2026. Se os pedidos superarem esse valor, a Receita divide o montante conforme a participação de cada produtor no volume de etanol hidratado fabricado em 2025, segundo dados da ANP.