A agência indiana que investiga o acidente do avião da Air India, ocorrido em junho de 2025 e que resultou na morte de 260 pessoas, informou que um rascunho do relatório final poderá ser finalizado em outubro. O Bureau de Investigação de Acidentes de Aeronaves (AAIB) comunicou ao Supremo Tribunal em um documento apresentado na terça-feira que atualmente está "engajada na fase de análise" da investigação, que deve ser concluída em cerca de seis semanas.
O trágico acidente ocorreu no dia 12 de junho de 2025, quando um Boeing 787 Dreamliner da Air India, com destino a Londres, caiu poucos segundos após decolar do aeroporto de Ahmedabad, no oeste da Índia. A aeronave desabou a aproximadamente 6 km do aeroporto, colidindo com um prédio que servia como alojamento para médicos de uma faculdade de medicina, causando uma explosão.
O acidente resultou na morte de 260 pessoas, sendo 241 a bordo e 19 no solo. Apenas um passageiro, Viswashkumar Ramesh, natural de Leicester, sobreviveu. O AAIB iniciou a investigação logo após o acidente e divulgou um relatório preliminar um mês depois.
Desenvolvimentos na investigação
No atual documento apresentado, o AAIB afirmou que já completou 49 das 66 etapas obrigatórias para investigar acidentes aéreos graves. Isso inclui a análise do local do acidente e dos destroços da aeronave, a coleta de evidências, como os gravadores de voo, e a revisão de registros pertinentes, incluindo o histórico médico e os registros de treinamento dos membros da tripulação.
O AAIB também informou que foi realizada uma revisão da cultura organizacional, fatores humanos e práticas de segurança. Uma autópsia psicológica e avaliação foram conduzidas, e o relatório final do psicólogo já foi recebido. A autópsia psicológica sugere que os investigadores pediram a um psicólogo da aviação que avaliasse o perfil psicológico de um ou mais membros da tripulação como parte da investigação mais ampla sobre fatores humanos.
Especulações e reações
O documento também indicou que um transcript do gravador de voz da cabine foi preparado, mas não revelou mais detalhes. O relatório preliminar publicado em julho passado indicou que, poucos segundos após a decolagem, os interruptores de controle de combustível mudaram abruptamente para a posição "corte", privando os motores de combustível e provocando uma perda total de potência. Gravações de áudio da cabine capturaram um piloto questionando o outro sobre o ocorrido, enquanto o outro respondeu que não tinha feito nada. O relatório não identificou qual piloto fez cada declaração.
A ambiguidade no relatório gerou especulações sobre o papel dos pilotos no acidente, com alguns veículos de mídia estrangeiros sugerindo que a atenção dos investigadores estava se voltando para o piloto sênior, o capitão Sumeet Sabharwal. Essas reportagens provocaram uma forte reação do pai de Sabharwal, de associações de pilotos na Índia e do próprio AAIB, que criticaram a cobertura midiática.
No documento apresentado em resposta a uma ação judicial do pai de Sabharwal, que pede uma investigação independente sobre o acidente, o AAIB afirmou que "a especulação e a narrativa da mídia que atribui culpa aos pilotos causou, infelizmente, que algumas testemunhas se tornassem restritivas e não responsivas".
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