O Mamulengo, um restaurante localizado na Zona Leste de São Paulo, mistura a culinária árabe com elementos da cultura popular nordestina e já fatura cerca de R$ 60 mil mensalmente. A idealizadora do negócio, Natália Siufi, é atriz e empreendedora, e transformou sua experiência no teatro em uma proposta gastronômica e cultural.

Da arte para a gastronomia

Nascida no interior, Natália estudou Artes Cênicas na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e percorreu o Brasil em projetos culturais. Durante uma apresentação em comunidades periféricas de São Paulo, ela percebeu a necessidade de oferecer alimentos ao público. “Eu entendi que elas estavam com fome”, relembra. Desde então, decidiu que suas atividades culturais sempre incluiriam comida.

O primeiro passo para o empreendedorismo ocorreu em 2014, quando, durante uma festa no Teatro Arthur Azevedo, Natália vendeu esfirras feitas com sua tia. Com a venda rápida de 800 unidades, ela identificou uma oportunidade de negócio. Em seguida, começou a vender esfirras em um carrinho pelas ruas de São Paulo.

Estrutura e proposta do restaurante

O restaurante Mamulengo foi inaugurado com um investimento inicial de cerca de R$ 150 mil. Inicialmente, o espaço contava com cinco sócios, mas atualmente Natália está à frente do negócio sozinha. Ao longo da trajetória, ela recebeu apoio de profissionais da gastronomia para estruturar o cardápio, mas optou por manter uma proposta mais afetiva e artesanal na cozinha.

A culinária árabe, que faz parte da identidade de Natália, é complementada por uma decoração que inclui bonecos e uma programação cultural, resultado de anos de pesquisa sobre cultura popular nordestina e o teatro de mamulengo. “Eu acredito que tanto a comida árabe quanto o brinquedo popular são formas de resistência”, afirma Natália, destacando semelhanças entre as culturas árabe e nordestina, como o hábito de compartilhar comida e o acolhimento familiar.

O restaurante também promove um ambiente de trabalho saudável, com uma escala de 4x3 para os funcionários e pausas maiores durante o expediente. “Hoje eu consigo lucrar sem explorar”, diz a empresária. Para atrair clientes, Natália iniciou sua operação distribuindo esfirras gratuitamente durante três meses, transformando os visitantes em divulgadores espontâneos do negócio.

Além da gastronomia, o espaço abriga oficinas, apresentações culturais e exposições de bonecos populares, tornando-se um ponto de encontro para artistas, famílias e admiradores da cultura popular. Natália enfatiza que seu objetivo não é expandir para uma grande rede, mas sim manter a essência de seu negócio. “Eu tenho muito prazer em ter uma pequena empresa e isso, para mim, é um grande negócio”, conclui.