Ribeirão Preto, SP, é frequentemente associada ao agronegócio e à música sertaneja, mas a cidade preserva uma vibrante cena roqueira. Longe dos holofotes comerciais, músicos e fãs se dedicam a manter o rock vivo, com uma mistura de bandas autorais e grupos que tocam covers.
O mercado musical local revela um contraste. Enquanto bandas que reproduzem sucessos de artistas consagrados garantem espaço em bares, os músicos que criam suas próprias canções enfrentam desafios para alcançar o público. Frederico Batista, produtor musical e colecionador de mais de 10 mil discos de vinil, observa de perto essa dinâmica. Ele organiza eventos e destaca a resiliência da cena roqueira na cidade.
"Ribeirão tem bastante rock hoje, mas o sertanejo domina. As casas que investem em música priorizam outros estilos. Por isso, as bandas de rock acabam indo mais para o cover mesmo, que é o que atrai mais as pessoas. Existe uma cena autoral forte, só que vive naquele universo próprio", afirma Frederico.
A diferença entre covers e músicas autorais
Juliana Prado, de 44 anos, é publicitária e vocalista de duas bandas na cidade, onde interpreta clássicos do rock. Ela destaca que o mercado de covers é forte, pois atrai um público fiel. "A gente estuda muito para fazer igual e levar algo bem profissional para o público. O rock não perdeu espaço, ele se manteve e as pessoas persistem", diz.
Por outro lado, César Malnova, de 39 anos, vocalista da banda Igreja do Sexo, comenta sobre as dificuldades do som autoral. "A gente acaba vivendo em um meio um pouco nichado. Na nossa região não tem muito espaço para o gótico e o som autoral é difícil. Em São Paulo, o pessoal valoriza muito mais a música própria do que o cover", explica.
Cultura do vinil e novos públicos
O crescente interesse pelo vinil tem atraído uma nova geração para o rock. Frederico realiza feiras de discos que reúnem famílias e jovens, ressaltando que o formato ajuda a conectar os mais novos com a essência da música. "O vinil está salvando essa geração que não quer ficar presa só no celular. O rock é feito com alma", afirma.
A cena musical de Ribeirão Preto também é impulsionada pelo festival João Rock, que ocorre anualmente e se tornou um importante evento no calendário nacional. Luit Marques, um dos fundadores do festival, destaca que o evento é uma oportunidade de resistência ao sertanejo, promovendo a diversidade musical.
"O João Rock fortalece a cena musical na cidade. A oportunidade de ter esses artistas aqui perto ajuda com que o jovem veja os ídolos e se inspire a criar a própria banda de garagem", conclui.
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