O prefeito de Londres, Sadiq Khan, manifestou apoio à proposta de estabelecer uma temperatura máxima em ambientes de trabalho, à medida que cresce a pressão sobre o governo britânico para proteger os trabalhadores dos efeitos das ondas de calor recorrentes no país.

As altas temperaturas, impulsionadas pela crise climática, têm deixado muitos cidadãos em dificuldades, com registros de temperaturas superiores a 40°C em alguns locais de trabalho, resultando no fechamento de milhares de escolas e no colapso de sistemas hospitalares e de transporte.

Durante o pico da onda de calor em junho, estima-se que cerca de 440 pessoas tenham perdido a vida diariamente no Reino Unido.

Atualmente, o país possui diretrizes de saúde e segurança que estabelecem temperaturas mínimas para ambientes de trabalho, mas não há regulamentações para limites máximos, mesmo diante do aumento das temperaturas de verão devido à crise climática impulsionada por combustíveis fósseis.

Demandas por regulamentação

Sindicatos e ativistas têm solicitado repetidamente a implementação de um limite de temperatura interna, com a Unison e o Congresso dos Sindicatos (Trades Union Congress) exigindo um máximo de 30°C para ambientes de trabalho e 27°C para atividades extenuantes.

Em maio, um relatório do Comitê de Mudanças Climáticas, que assessora o governo, recomendou a criação de regulamentações sobre temperatura máxima no trabalho, visando mitigar os riscos crescentes para a segurança dos trabalhadores e incentivar a instalação de sistemas de refrigeração adequados.

No final de semana, a pressão sobre o governo aumentou quando a deputada do Partido Verde, Hannah Spencer, anunciou planos de apresentar um projeto de lei no parlamento para estabelecer um limite de temperatura no ambiente de trabalho.

Um porta-voz de Khan, um dos principais representantes eleitos do Partido Trabalhista, afirmou que o prefeito apoia a ideia, ressaltando que o calor extremo se tornou uma realidade crescente para os cidadãos da capital britânica, que foi uma das áreas mais afetadas pelas ondas de calor deste verão.

Impactos nas escolas e na saúde pública

Khan lançou uma iniciativa para ajudar Londres a se adaptar a ondas de calor cada vez mais frequentes e severas. Seu porta-voz acrescentou que, embora o prefeito não tenha poder para implementar limites de temperatura obrigatórios, ele é favorável à proposta.

Na semana passada, o Guardian destacou os efeitos das repetidas ondas de calor nas escolas, com professores relatando esforços desesperados para manter as crianças seguras, como cobrir alunos mais novos com toalhas molhadas enquanto se deitam no chão e fornecer bandejas com água para que alunos mais velhos coloquem os pés.

Médicos também enfatizaram o impacto devastador do calor extremo no NHS (Serviço Nacional de Saúde) da Inglaterra, com falhas em máquinas de radioterapia e scanners de ressonância magnética, sistemas de TI críticos travando e unidades de refrigeração de hospitais inteiros quebrando.

A prefeita verde de Hackney, Zoë Garbett, declarou que apoiar trabalhadores e famílias afetados pelo calor extremo é uma questão de justiça social, além de uma necessidade de adaptação climática. Ela destacou que a crise climática não afeta todos de maneira igual e que as recentes ondas de calor deixaram isso claro.

Um porta-voz do governo afirmou que não há planos para introduzir uma temperatura máxima obrigatória no ambiente de trabalho, acrescentando que a Executiva de Saúde e Segurança (HSE) disponibilizou orientações para que empregadores possam planejar e apoiar trabalhadores em condições de calor extremo. Contudo, foi mencionado que a HSE realizará uma consulta pública sobre saúde e segurança no trabalho ainda este ano, que abordará limiares de temperatura e outras questões.