Clientes de óleo para aquecimento no Reino Unido, cujos pedidos foram cancelados devido ao aumento de preços ocasionado pela guerra no Oriente Médio, receberão compensação de até £350 cada. A medida segue uma investigação da Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) sobre fornecedores de óleo de aquecimento, que foram alvo de reclamações por descumprimento de contratos.
Investigação e impacto nos consumidores
A CMA iniciou a investigação após receber queixas de que pedidos existentes estavam sendo cancelados, enquanto os consumidores eram oferecidos novos contratos a preços significativamente mais altos. Um relatório divulgado na quarta-feira indicará que cerca de 1.700 clientes foram impactados por possíveis violações contratuais. Embora tenham recebido reembolsos por seus pedidos originais, muitos se viram obrigados a pagar valores muito superiores ou a ficar sem combustível.
O conflito no Irã provocou um choque nos preços de energia, com o óleo de aquecimento alcançando um aumento de 92% em abril, chegando a 123p por litro. Durante o pico da crise, a CMA apontou que alguns consumidores podem ter pago entre £150 e £350 a mais pelo óleo de aquecimento.
Compensações e ações da CMA
Após o contato da CMA, diversos fornecedores concordaram em compensar os clientes afetados. Aqueles que pagaram valores mais altos receberão um pagamento que cobre a diferença, enquanto os consumidores que não compraram óleo de reposição terão seus pedidos originais honrados pelo preço acordado.
A diretora executiva da CMA, Sarah Cardell, afirmou que os 1.700 clientes foram “deixados em uma situação incerta” após o cancelamento de seus pedidos. “É encorajador que alguns fornecedores concordaram em compensar os clientes, mas várias empresas ainda não o fizeram”, destacou. Cardell acrescentou que a CMA está pressionando esses fornecedores a agir e se prepara para tomar medidas legais contra aqueles que não compensarem os clientes voluntariamente.
Contexto do mercado de óleo de aquecimento
Atualmente, cerca de 1,5 milhão de lares no Reino Unido, principalmente em áreas rurais sem acesso à rede de gás, dependem do óleo de aquecimento (parafina, também conhecido como querosene) para aquecer suas casas, cozinhar e fornecer água quente. Ao contrário do gás e da eletricidade, o óleo é geralmente adquirido em grandes volumes, resultando em contas que podem ultrapassar £500.
A CMA também relatou que, embora os aumentos de preços provocados pelo conflito no Oriente Médio tenham refletido em grande parte os custos de atacado em alta, “os fornecedores não se beneficiaram materialmente da crise, mas os consumidores não estão tão bem protegidos quanto aqueles conectados à rede”.
Para resolver essa questão, Cardell sugeriu a necessidade de “protecções mais robustas” e recomendou aos governos do Reino Unido e das regiões autônomas a introdução de um novo regime regulatório para fornecedores de óleo de aquecimento. Isso incluiria um registro de fornecedores e a adesão a padrões mínimos, incluindo a gestão de cancelamentos de pedidos e acesso a um serviço independente de resolução de disputas.
A chanceler, Rachel Reeves, comentou: “É reconfortante saber que é um mercado competitivo, mas a falta de proteção para esses lares me preocupa, então analisaremos seriamente o que pode ser feito.”
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.