A Unilever, responsável por marcas como Marmite, Dove e Hellmann’s, alertou que implementará novos aumentos de preços nos próximos meses, buscando compensar os custos crescentes que a empresa tem enfrentado.
A companhia anglo-holandesa informou que, embora o ritmo dos aumentos de preços tenha desacelerado no segundo trimestre de 2023, em parte devido a descontos relacionados à Copa do Mundo e a esforços para manter a competitividade no Brasil, esses fatores são considerados “temporários” e não devem proteger os consumidores por muito tempo.
“Esperamos que o crescimento dos preços subjacentes acelere no segundo semestre, à medida que a precificação impulsionada por commodities continue a se refletir no mercado”, declarou a empresa em comunicado a seus acionistas na terça-feira.
Desempenho e lealdade da marca
Esse cenário pode resultar em lucros mais altos para a Unilever, dependendo da disposição dos consumidores em continuar comprando seus produtos, mesmo com os aumentos de preços. No segundo trimestre, a empresa reportou um crescimento nas vendas subjacentes de 5,8%, o que elevou sua receita em 3,8%, alcançando €13 bilhões (£11,1 bilhões).
Victoria Scholar, chefe de investimentos da Interactive Investor, comentou que “os consumidores continuaram a demandar os produtos da Unilever, em vez de trocar por alternativas mais baratas e sem marca, apesar das pressões sobre o custo de vida, provando a força da lealdade à marca da Unilever”.
Aumento de custos e impactos no mercado
Empresas como a Unilever têm enfrentado um aumento nos custos de ingredientes e serviços, impactados pelo aumento dos preços do petróleo desde março, quando o conflito entre EUA e Israel contra o Irã interrompeu o tráfego de petroleiros pelo estreito de Ormuz.
Embora os preços do petróleo tenham flutuado em meio a cessar-fogos temporários, isso ainda não resultou em uma queda sustentada nos preços para os fabricantes, que esperam repassar os custos elevados aos consumidores.
A inflação no Reino Unido caiu mais do que o esperado em junho, atingindo 2,6%. No entanto, economistas de Londres alertam que o Banco da Inglaterra pode ser forçado a revisar suas previsões econômicas e aumentar as taxas de juros ainda este ano, caso os preços do petróleo voltem a ultrapassar a marca de $100 por barril.
Mohamed El-Erian, professor da Universidade da Pensilvânia e ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, sugeriu que um aumento sustentado nos preços do petróleo para $90 por barril poderia ser suficiente para reescrever as previsões dos formuladores de políticas do Reino Unido. “Se os preços do petróleo permanecerem acima de $90 por barril, um ‘se’ importante, então a inflação geral enfrentaria pressão significativa para cima”, afirmou.
Essa situação pode pressionar ainda mais os clientes da Unilever listada em Londres, que possui fábricas em todo o país, incluindo a produção de Pot Noodle em Crumlin, País de Gales, e de Hellmann’s, Marmite e Colman’s em Burton-on-Trent.
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