Andy Burnham, recém-empossado primeiro-ministro do Reino Unido, declarou sua intenção de utilizar "todo o capital político que eu tiver" para reformar o deteriorado sistema de assistência social na Inglaterra. Em sua primeira entrevista completa desde que assumiu o cargo na semana passada, Burnham afirmou que a falta de ação rápida pode levar ao colapso efetivo do NHS.

Durante a entrevista, Burnham não conseguiu estipular um cronograma para a implementação de um novo sistema de assistência social, mas enfatizou que sua criação exigirá tempo. Ele reiterou seu desejo de enfrentar um problema político que tem sido sistematicamente negligenciado pelos governos, mencionando sua experiência pessoal com seu pai, que sofre de Alzheimer e necessita de cuidados.

Urgência na reforma da assistência social

Quando questionado sobre a possibilidade de criar um sistema totalmente novo de assistência social antes das próximas eleições, o primeiro-ministro disse à BBC que se moveria o mais rapidamente possível em sua "reforma". Ele reconheceu que um novo sistema levaria tempo para ser implementado e destacou que mudanças significativas podem ser feitas antes das eleições.

"Isso custa ao NHS bilhões de libras, e nunca conseguiremos restabelecer os padrões de tempo de espera do NHS até que consertamos a assistência social", comentou Burnham. Ao ser indagado sobre sua disposição política para realizar essas mudanças, ele afirmou que já havia se comprometido anteriormente a enfrentar essa questão e que não mudaria sua posição ao assumir o novo cargo.

Revisão do sistema de benefícios

Burnham também abordou a necessidade de o Reino Unido "levar a sério" a redução dos gastos com segurança social e outros benefícios. No entanto, ele ressaltou que não deseja demonizar aqueles que solicitam assistência social. Ao ser questionado sobre se existem beneficiários que não necessitam dos auxílios, respondeu que não culpa essas pessoas, apontando que muitos jovens na faixa dos 20 anos foram "seriamente decepcionados" por não receberem o suporte necessário.

Ele também prometeu reformar o sistema de benefícios mais amplo, um processo que começou sob a liderança de Keir Starmer, incluindo uma revisão dos pagamentos para pessoas com deficiência ou doenças, além de um estudo para reduzir o número de jovens fora da educação, emprego ou treinamento.

Sobre como pretende equilibrar as mudanças, Burnham afirmou que é necessário alterar a natureza do suporte, tornando algumas ajudas condicionais à aceitação de oportunidades disponíveis. "É uma boa coisa que o governo tenha garantido oportunidades para os jovens", acrescentou, ressaltando que o suporte à saúde mental deve ser oferecido em ambientes de trabalho.

Em sua conclusão, Burnham pediu uma abordagem mais séria em relação ao controle da despesa com benefícios sociais, enfatizando a importância de reformar o sistema para atender melhor às necessidades da população.