A Bancada Feminista do PSOL, um mandato coletivo composto por cinco mulheres negras na Assembleia Legislativa de São Paulo, protocolou na segunda-feira (27.jul.2026) uma representação junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência.

Motivo da Ação

O pedido de investigação foi motivado pela veiculação de um vídeo produzido com inteligência artificial, que simula o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A gravação foi apresentada durante a convenção do PL, realizada no último sábado (25.jul), em São Paulo. A bancada solicita a abertura de um procedimento investigatório eleitoral para apurar as circunstâncias em que o vídeo foi divulgado.

Conteúdo do Vídeo

No vídeo, a imagem do ex-presidente afirma que o que está sendo mostrado é uma “simulação” feita com inteligência artificial e menciona que Bolsonaro encontra-se preso e em silêncio “por uma decisão injusta e arbitrária baseada em algo que” nunca cometeu. Em sua mensagem, ele ainda declara: “Nenhuma prisão vai calar milhões de brasileiros que acreditam no nosso país. Por isso, peço que vocês recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir. Sangue do meu sangue, meu filho Flávio vem com fé. O Brasil tem futuro, e o futuro é Flávio Bolsonaro presidente”.

Atualmente, Jair Bolsonaro cumpre pena em prisão domiciliar, após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e 3 meses de reclusão em regime fechado por cinco crimes relacionados a uma tentativa de golpe de Estado.

Requerimentos da Representação

A representação da Bancada Feminista do PSOL foi endereçada ao Procurador Regional Eleitoral de São Paulo e requer a apuração dos fatos. A bancada argumenta que o conteúdo foi amplamente compartilhado em plataformas digitais sem a devida informação sobre o uso de inteligência artificial na sua produção.

Além disso, a ação solicita a instauração de um procedimento investigatório para avaliar possíveis abusos de poder político e a utilização indevida dos meios de comunicação. Caso sejam encontrados indícios de irregularidades, a bancada pede que o MPE proponha uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral.

O uso de tecnologias como a inteligência artificial na política levanta questões sobre a transparência e a ética nas campanhas eleitorais, especialmente em um cenário em que a desinformação pode impactar a percepção pública e o processo democrático.