Uma nova barreira militar no Vale do Jordão, na Cisjordânia, está dificultando o acesso das comunidades palestinas às suas terras, enquanto os colonos se beneficiam dessa situação. Thaer Bisharat, um residente de Ras al-Ahmar, relata que o trajeto até sua casa, que costumava levar menos de 10 minutos, agora leva até três horas devido a fechamentos de estradas e patrulhas constantes de soldados israelenses e colonos.

Os portões de acesso à sua comunidade estão fechados, e a única rota disponível é uma estrada de terra estreita, acessível apenas por veículos 4x4. Neste cenário, a pressão sobre os moradores tem aumentado, com relatos de ameaças de despejo e confisco de propriedades. Thaer menciona que, recentemente, pessoas em trajes militares abordaram vizinhos, exigindo que desocupassem suas terras em 24 horas.

Impactos da Barreira Militar

A barreira, denominada 'Crimson Thread', foi anunciada em 2025 e se estende por aproximadamente 22 km entre os postos de controle de Ein Shibli e Tayasir. O objetivo declarado por Israel é evitar o contrabando de armas da Jordânia, embora a rota da barreira esteja situada vários quilômetros dentro da Cisjordânia ocupada. O projeto, que pretende se estender por 500 km, tem como consequência a separação de milhares de hectares de terras palestinas.

Desde a recente decisão do Supremo Tribunal de Israel que autorizou a construção da barreira, a Administração Civil israelense tem avançado com a escavação de trincheiras e a destruição de infraestrutura palestina, incluindo poços, canos de irrigação e estufas. De acordo com Dror Etkes, da ONG Kerem Navot, a implementação da barreira representa uma escalada nas políticas de remoção de palestinos da região.

Deslocamento e Destruição de Infraestrutura

O impacto da barreira é visível em várias comunidades, que estão sendo forçadas a abandonar suas casas e terras. Mahdi Daraghmeh, líder do conselho da aldeia de al-Maleh, observa que o terror gerado por colonos levou ao deslocamento de 130 famílias na região. Os moradores que permanecem enfrentam constantes operações de desmantelamento de suas propriedades e restrições severas ao acesso à água e aos recursos necessários para a agricultura.

Além disso, a construção da barreira tem sido acompanhada por ações violentas de colonos, que, segundo Thaer, têm ameaçado e atacado os palestinos que resistem à pressão para deixar suas terras. Em um incidente recente, um amigo de Thaer foi agredido por colonos após se recusar a desocupar sua propriedade.

A situação se agrava com a dificuldade de documentação dos abusos, uma vez que as autoridades israelenses têm trabalhado para impedir que observadores registrem as operações da 'Crimson Thread'. O resultado é um cenário de crescente isolamento e desespero para as comunidades palestinas afetadas.