A União Europeia (UE) renovou seu pedido para que Israel suspenda a expansão de assentamentos na Cisjordânia ocupada, alertando que a construção contínua e outras medidas unilaterais ameaçam a viabilidade de um futuro estado palestino.

Um porta-voz da UE, na última sexta-feira, instou Israel a interromper a legalização de postos de assentamento, a apropriação de terras, demolições e despejos forçados de palestinos, ações que, segundo ele, "minam a viabilidade da solução de dois Estados".

Aprovação de novos assentamentos e reações

A declaração da UE ocorreu poucos dias após a aprovação pelo gabinete de segurança de Israel da alocação de 1,3 bilhão de shekels (aproximadamente 427,8 milhões de dólares) para a criação de 34 novos assentamentos na Cisjordânia ocupada. Este pacote de financiamento representa um dos maiores investimentos recentes de Israel na expansão de assentamentos, o que gerou críticas de autoridades palestinas e parceiros internacionais.

A ONU, o Tribunal Internacional de Justiça e a maioria dos países consideram os assentamentos israelenses em territórios ocupados desde 1967 como ilegais sob o direito internacional. No entanto, Israel rejeita essa interpretação.

A UE tem afirmado há muito que não reconhece a soberania de Israel sobre os territórios ocupados em 1967. Contudo, o bloco de 27 membros permanece dividido sobre a adoção de medidas mais rigorosas contra a política de assentamentos de Israel.

Violência crescente e apelos por ação

Os ministros das Relações Exteriores da UE não conseguiram chegar a um consenso esta semana sobre propostas que poderiam restringir o comércio com os assentamentos na Cisjordânia ocupada, apesar das crescentes solicitações de vários Estados membros por ações mais firmes.

A pressão diplomática renovada ocorre em meio a uma violência contínua na Cisjordânia ocupada, onde palestinos, incluindo crianças, têm sido feridos em incidentes separados envolvendo colonos israelenses e forças israelenses.

Na última sexta-feira, duas crianças palestinas foram levadas ao hospital após sofrerem ferimentos na cabeça e no rosto quando colonos israelenses supostamente lançaram pedras contra o veículo da família na área de Wadi al-Sha’er, de acordo com a agência de notícias palestina Wafa.

Em outro incidente, um menino palestino de 16 anos foi baleado por forças israelenses na Cisjordânia ocupada e permanece hospitalizado.

“Todos concordam que a situação na Cisjordânia é realmente intolerável”, disse a chefe da política externa da UE, Kaja Kallas, antes das conversações entre os ministros das Relações Exteriores da UE em Bruxelas na segunda-feira. “O que está acontecendo na Cisjordânia está tornando cada vez mais impossível que a solução de dois Estados possa ser efetivada”, acrescentou.