O mercado das principais commodities agrícolas está sob influência de fatores climáticos e geopolíticos, afetando diretamente os preços de soja, milho, café e boi gordo. Segundo o consultor em agronegócio Carlos Cogo, a evolução do clima nas regiões produtoras, o mercado de petróleo e o ritmo das exportações serão determinantes para o comportamento desses preços.

"Na soja e no milho, o mercado continua monitorando o clima nos EUA. No caso do milho, também acompanha a evolução da colheita da segunda safra no Brasil. No café, o clima chuvoso tem atrapalhado a colheita brasileira e influenciado as cotações globais. Já no boi, o foco está no ritmo das exportações, que começa a desacelerar com a preocupação em relação ao preenchimento da cota destinada ao mercado chinês", afirmou Cogo.

Cenário da Soja e do Milho

O consultor destacou que o petróleo voltou a ser um ponto central após a redução das tensões entre Estados Unidos e Irã. A queda nos preços do petróleo tem pressionado as commodities agrícolas, especialmente aquelas associadas à produção de biocombustíveis.

"O petróleo em queda reduz a demanda por biodiesel, derruba o preço do óleo de soja, a principal matéria-prima do biodiesel. Isso acaba pressionando todo o complexo da soja", explicou Cogo.

Atualmente, 63% das lavouras de soja nos Estados Unidos estão em condições boas ou excelentes, índice inferior ao de 70% registrado no mesmo período do ano anterior. Apesar da previsão de temperaturas acima da média, chuvas próximas da média histórica devem aliviar as preocupações. Não há, até o momento, previsão de quebra de safra nos EUA, mas o clima continua sendo um importante fator de formação de preços.

Após uma alta de 4,2% na semana passada, os contratos futuros da soja iniciaram a semana em queda devido à desvalorização do petróleo, que diminui a competitividade do biodiesel e, consequentemente, pressiona os preços do óleo de soja.

Impactos no Milho e Café

O mercado de milho também é afetado pelas condições climáticas nos Estados Unidos, onde 63% das lavouras estão em boas condições, abaixo dos 73% do ano passado. O atraso na colheita da segunda safra brasileira, que alcança apenas 58% da área, também é um ponto de atenção.

Cogo ressaltou que a queda do petróleo impacta o milho, reduzindo a competitividade do etanol produzido a partir do cereal. Contudo, a onda de calor na Europa, especialmente na França e na Espanha, pode limitar perdas mais expressivas nas cotações, já que aumenta os riscos para as lavouras europeias.

No mercado de café, as chuvas nas áreas produtoras do Brasil atrasam a colheita e mantêm a volatilidade das cotações internacionais. Cogo enfatizou que o clima chuvoso continua dificultando o avanço da colheita no Brasil, influenciando diretamente os preços globais do café.

Desempenho do Boi Gordo

Em relação ao boi gordo, a atenção está voltada para o desempenho das exportações brasileiras. O ritmo de embarques começou a desacelerar nas últimas semanas devido à preocupação com o preenchimento da cota destinada ao mercado chinês, que se tornou o principal fator de atenção para o setor.

Com essas variáveis em jogo, o cenário das commodities agrícolas permanece incerto, exigindo monitoramento constante por parte dos produtores e investidores.