O diretor vencedor do Oscar, Christopher Nolan, expressou sua convicção de que os filmes de grande orçamento que realiza, predominantemente gravados em locações, resistirão à ascensão da inteligência artificial (IA), uma tecnologia que ele afirma ser amplamente desprezada pelo público.

Em promoção de seu mais recente blockbuster, uma adaptação da épica grega 'A Odisseia', que chega aos cinemas esta semana, Nolan comentou: "O interessante sobre a IA é que nunca vi uma tecnologia que foi tão bem aceita por Wall Street, investidores e empresas de tecnologia, enquanto o público a rejeita de forma tão completa".

Ele destacou que, especialmente entre os jovens, existe um certo desprezo pela IA, usando o termo "IA de má qualidade" para descrever o excesso de conteúdo gerado por inteligência artificial que inundou as redes sociais nos últimos anos.

Impacto da IA nas indústrias criativas

Embora a IA tenha sido amplamente incorporada em aplicações comerciais e serviços de busca online, enfrentando resistência significativa nas indústrias criativas, como música, cinema e arte, Nolan acredita que a tecnologia poderá resultar em ferramentas úteis para a criação de imagens.

“Mas a ideia de que ela substitui completamente os seres humanos e a criatividade humana é, para mim, um absurdo”, afirmou o diretor britânico-americano.

Em 2023, durante a divulgação de 'Oppenheimer', Nolan já havia comentado sobre as semelhanças entre os apelos do físico Robert Oppenheimer por contenção nuclear e os avisos de especialistas em IA sobre os riscos existenciais da tecnologia, como o Dr. Geoffrey Hinton, que deixou o Google para discutir abertamente a questão.

“Acredito que a IA será uma ferramenta poderosa no futuro. O que tentei trazer para o debate é a noção de responsabilidade, especialmente por parte dos empregadores. Não podemos permitir que a gestão use a IA para evitar a responsabilidade por suas ações”, destacou Nolan.

Controvérsias e reações ao novo filme

A indústria de IA tem promovido a ideia de que a tecnologia pode substituir atores, roteiristas e operadores de câmera, gerando pânico, mas também ceticismo, entre os profissionais de cinema. Essa questão foi um dos fatores que levou a uma greve significativa em Hollywood em 2023, que paralisou produções e causou prejuízos de bilhões de dólares.

'A Odisseia' é um poema da Grécia Antiga considerado um marco da literatura ocidental, narrando a jornada de 10 anos do herói Odisseu para retornar para casa após a guerra de Tróia, incluindo cenas icônicas da mitologia grega.

Com um orçamento estimado em 250 milhões de dólares, Nolan conseguiu filmar em diversas locações pelo Mediterrâneo, com um elenco estelar que inclui Matt Damon no papel principal como Odisseu, ao lado de Zendaya, Tom Holland, Robert Pattinson e Anne Hathaway.

Recentemente, Nolan enfrentou críticas de Elon Musk e outras figuras da direita por escalar a atriz Lupita Nyong'o como Helena de Tróia, uma figura mitológica considerada a mulher mais bela do mundo. Nyong'o respondeu às críticas, afirmando: “Nosso elenco é representativo do mundo. Não estou gastando meu tempo pensando em uma defesa.”

Em entrevista ao Telegraph, Nolan comentou que as reações negativas “fazem parte do território”, reiterando que essas discussões antes da estreia do filme são irrelevantes, pois ninguém que as faz conhece realmente a obra ainda.