O plano do governo britânico para proteger e restaurar a natureza na Inglaterra até 2030 foi amplamente criticado como "patético" e "completamente insuficiente" em resposta à crescente crise ambiental. O documento, aguardado há tempos, foi publicado na segunda-feira e propõe que os proprietários de terras optem voluntariamente por proteger e melhorar a natureza, ao invés de estabelecer proteções legais mais abrangentes para as áreas naturais do país.

De acordo com os ministros, a estratégia visa acelerar as ações para atender a um compromisso internacional de restaurar 30% da natureza até 2030, um objetivo estabelecido por mais de 100 países durante as negociações da COP15 em Montreal, em 2022. Esse alvo é considerado o mínimo necessário para interromper e reverter o declínio global da natureza, mas, com quatro anos restantes, o governo ainda está longe de atingir essa meta. Análises indicam que apenas 7% da terra na Inglaterra atende aos critérios do "30by30".

Críticas à dependência de ações voluntárias

O novo plano identifica áreas que cobrem cerca de 32% da Inglaterra, as quais já têm potencial para contribuir para a meta de 30by30. No entanto, o documento reconhece que para alcançar esse objetivo será necessário um aumento significativo em ambição, coordenação e entrega.

A ministra do meio ambiente, Mary Creagh, afirmou que o plano é um chamado à ação para que gestores de terras, agricultores e comunidades colaborem na proteção dos sistemas naturais que sustentam um país saudável e próspero. Em contrapartida, o escritor de natureza Guy Shrubsole criticou a estratégia, alegando que ela reflete a política falida dos últimos 40 anos, onde o governo não assume o controle da crise ambiental e delega essa responsabilidade a proprietários de terras privados.

Divisões na Igreja da Inglaterra sobre rewilding

Enquanto isso, a maior entidade fundiária do país, a Igreja da Inglaterra, está se preparando para votar sobre uma moção que visa rewilding 30% de suas terras até 2030. A Rev Canon Val Plumb, uma das líderes da proposta, argumenta que a terra do país está "gritando e morrendo por libertação". Atualmente, apenas 3,5% das terras da igreja são utilizadas para restauração da natureza.

Por outro lado, a Igreja enfrenta divisões internas sobre a proposta. William Nye, secretário geral do conselho dos arcebispos, afirmou que a moção é inconsistente com as obrigações legais da igreja. O ambientalista e apresentador de TV Chris Packham destacou que o acesso à terra é um dos principais obstáculos para alcançar a meta nacional, citando que 50% das terras estão nas mãos de apenas 1% da população.

Para que a moção seja aprovada, precisaria do apoio da maioria dos 480 membros do sínodo. Os Comissários da Igreja, que administram o fundo patrimonial da igreja, argumentam que sua abordagem atual de gestão de terras agrícolas está alinhada com suas obrigações legais. No entanto, um parecer jurídico encomendado pelo grupo de campanha Wild Card concluiu que a igreja é legalmente livre para restaurar 30% de suas terras.

Em resposta, os Comissários da Igreja afirmaram que, embora a meta 30by30 seja "um alvo nacional importante", suas ações estão focadas em agricultura sustentável, silvicultura, energia renovável e comunidades prósperas.