O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, assinou em 17 de junho um memorando de entendimento (MoU) entre os Estados Unidos e o Irã, com o objetivo de estender o cessar-fogo e criar um caminho para a paz duradoura. Na ocasião, Sharif apresentou o documento para a imprensa, marcando o ápice de um esforço diplomático intenso liderado por Islamabad.
No entanto, menos de quatro semanas depois, o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão expressou “profunda preocupação” com a renovação das hostilidades entre EUA e Irã, sugerindo que o MoU promovido por Islamabad está em frangalhos. Na manhã de segunda-feira, os EUA iniciaram uma nova série de ataques ao Irã, que respondeu com mísseis e drones direcionados a várias nações do Golfo e árabes, acusando-os de abrigar bases militares americanas.
Esforços de mediação diante do aumento das tensões
Horas após os ataques, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, informou que mediadores, incluindo Paquistão, Catar e Omã, continuam envolvidos nas negociações, mesmo alertando que o Irã responderia a qualquer não conformidade dos EUA com o MoU. Até o momento, esses esforços não conseguiram desacelerar o conflito, apesar da insistência do Paquistão em manter o diálogo.
No domingo, o vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores, Ishaq Dar, conversou por telefone com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reafirmando que o diálogo e a diplomacia são “o único caminho viável” para resolver a crise. O primeiro-ministro Sharif também contatou o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, na sexta-feira, alertando que os ganhos de paz “dificilmente conquistados” estão sob risco.
Cenário de desconfiança entre EUA e Irã
O atual conflito marca pelo menos a terceira vez que o cessar-fogo assinado em 8 de abril parece ter desmoronado. Poucos dias após o acordo, a primeira rodada de negociações em Islamabad resultou em um bloqueio naval dos EUA a navios iranianos no Estreito de Ormuz, com ambos os lados atacando embarcações nos dias seguintes. Após a assinatura do MoU em junho, o Irã atacou vários navios que, segundo afirmava, transitavam pelo estreito sem permissão, levando a uma nova escalada com Washington.
Os ataques dos EUA ao Irã desde então afetaram pelo menos 10 províncias, resultando na morte de um soldado, vários pescadores e um bombeiro, conforme autoridades iranianas. O aumento das hostilidades também envolveu o Catar, onde mísseis e drones iranianos atingiram o estado, ferindo três pessoas, incluindo uma criança.
Analistas afirmam que, diante da desconfiança crescente entre EUA e Irã, o Paquistão e outros mediadores enfrentam o desafio de trazer as partes de volta à mesa de negociações. O diretor do Grupo de Estudos do Golfo Pérsico, Javad Heiran-Nia, ressaltou que o MoU nunca teve a intenção de resolver a disputa subjacente, funcionando apenas como um instrumento tático para interromper hostilidades e reabrir o estreito ao comércio internacional.
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