Crianças no Reino Unido estão a caminho de se tornarem uma das gerações mais doentes em décadas, com resultados de saúde infantil tendo diminuído ou estagnado em todas as áreas, segundo um grupo de pediatras renomados.
O relatório, publicado pelo Royal College of Paediatrics and Child Health (RCPCH), aponta que a redução nas taxas de vacinação, juntamente com o aumento das internações hospitalares por asma e distúrbios mentais, são fatores que contribuem para o desempenho do Reino Unido em saúde infantil, que deve ser visto como um "espetáculo nacional de vergonha".
Indicadores alarmantes de saúde infantil
A análise considerou 12 indicadores globalmente reconhecidos de saúde e bem-estar infantil, incluindo taxas de mortalidade infantil, saúde bucal, obesidade, taxas de vacinação e a prevalência de distúrbios mentais e asma. Os resultados mostraram que a saúde das crianças no Reino Unido estagnou significativamente, colocando-as entre as menos saudáveis da Europa Ocidental.
Por exemplo, apenas 84% das crianças no Reino Unido recebem as duas doses da vacina MMR até os cinco anos, índice abaixo da meta de 95% da Organização Mundial da Saúde, tornando o Reino Unido o pior entre as nações do G7. Além disso, o país registra uma das maiores taxas de mortalidade relacionadas à asma na Europa.
As taxas de mortalidade infantil no Reino Unido mostraram pouca melhoria desde 2023 e continuam mais altas do que em outros países europeus. O relatório também destaca desigualdades significativas em todo o Reino Unido, que agravam a saúde já precária das crianças, com taxas de mortalidade infantil e obesidade mais de duas vezes maiores nas áreas mais desfavorecidas.
Apelo à ação do novo governo
A Dra. Helen Stewart, responsável pela melhoria da saúde no RCPCH, declarou: "O desempenho do Reino Unido em saúde infantil deve ser uma vergonha nacional. Em toda a Europa Ocidental, muitos outros países estão alcançando melhores resultados para as crianças, mas muitas aqui estão sendo deixadas para trás." Ela fez um apelo a Andy Burnham, que deve assumir o cargo de primeiro-ministro em 20 de julho, para que priorize a questão da saúde infantil.
"O novo governo tem a chance de ser ousado em saúde infantil. Sem ação, mais crianças crescerão em má saúde, entrando na vida adulta em desvantagem e colocando ainda mais pressão sobre famílias e serviços públicos", afirmou Stewart.
O relatório também incluiu uma pesquisa da YouGov, que revelou que apenas 12% dos pais acreditam que a saúde infantil melhorou na última década, sugerindo que, mesmo onde houve progresso, este não foi sentido pelas famílias.
A RCPCH pediu ao governo que introduza várias medidas, incluindo mais investimentos em serviços de saúde infantil e na força de trabalho, melhoria na coleta e compartilhamento de dados sobre saúde infantil e a introdução de metas nacionais vinculativas para melhorar os resultados de saúde infantil e reduzir a desigualdade.
A CEO da instituição de caridade de saúde King’s Fund, Sarah Woolnough, afirmou que o relatório deve ser considerado um "alerta". "Sem ação urgente e sustentada, há um risco real de que as crianças de hoje experimentem uma saúde pior do que as gerações anteriores", disse ela.
Um porta-voz do governo declarou: "Após uma década de negligência, muitas crianças – especialmente aquelas que crescem nas comunidades mais desfavorecidas – continuam a enfrentar resultados de saúde piores do que deveriam. É por isso que este governo está tomando medidas decisivas para tirar as crianças da pobreza, abordar as desigualdades em saúde e criar a geração de crianças mais saudáveis de todos os tempos."
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