Cobras-brown, conhecidas por suas consequências devastadoras para a fauna nativa de Guam, podem ter encontrado um caminho para seu sucesso invasivo devido a vantagens genéticas ocultas. Um estudo liderado pela Universidade de Buffalo, publicado em 24 de julho de 2026 na revista Science Advances, revela que essas serpentes apresentam mais de 19.000 variações genéticas significativas, muitas delas relacionadas à imunidade e ao olfato.

Impacto da invasão de cobras-brown em Guam

Originárias da Austrália e do Pacífico Sul, as cobras-brown provavelmente chegaram a Guam após a Segunda Guerra Mundial, possivelmente escondidas em aviões de carga militar. Desde então, sua presença tem causado a extinção de várias espécies de aves nativas e gerado centenas de interrupções no fornecimento de energia elétrica anualmente, ao escalar postes de energia. Em algumas áreas do território dos EUA, a densidade populacional dessas cobras chega a 30.000 indivíduos por milha quadrada.

Novas descobertas sobre a diversidade genética

A invasão das cobras-brown sempre intrigou biólogos, já que se acreditava que sua população inicial era composta por um número limitado de indivíduos, o que normalmente criaria um gargalo genético. Isso, em teoria, dificultaria a adaptação e a rápida multiplicação da espécie. No entanto, a pesquisa revelou que essas serpentes possuem uma diversidade genética maior do que se pensava.

Os pesquisadores utilizaram sequenciamento de DNA de longa leitura para examinar extensas seções do genoma das cobras. Identificaram milhares de variantes estruturais, incluindo segmentos de DNA que foram duplicados, deletados ou rearranjados. Muitas dessas variações estavam concentradas em genes relacionados à imunidade e ao olfato, sugerindo que essa diversidade genética oculta pode ter permitido que a população, originada de um pequeno número de cobras, sobrevivesse à endogamia e se adaptasse ao novo ambiente.

Trevor Krabbenhoft, professor associado no Departamento de Ciências Biológicas da UB e autor correspondente do estudo, afirmou: "As cobras-brown podem não ser extremamente diversas, mas possuem fontes importantes de diversidade genética que foram subestimadas."

Implicações para espécies ameaçadas e controle de invasores

A descoberta pode ser desanimadora para as agências que tentam conter a população de cobras-brown em Guam, pois a maior flexibilidade genética poderia torná-las mais resilientes do que se pensava. Por outro lado, os resultados oferecem esperança para espécies ameaçadas com populações pequenas ou altamente endogâmicas. Christopher Osborne, primeiro autor do estudo, comenta: "É possível que espécies ameaçadas tenham mais flexibilidade genética do que imaginamos, o que pode explicar como algumas espécies endogâmicas ainda conseguem responder ao seu ambiente."

Os cientistas ainda investigam se essas variações estruturais já estavam presentes antes da chegada das cobras a Guam ou se surgiram após a invasão. Para esclarecer essa questão, será necessário comparar amostras de cobras-brown de suas regiões nativas.