O documentário House of Hope explora a realidade de uma escola primária na Cisjordânia, mostrando a vida de crianças sob ocupação e os desafios enfrentados por um casal que dirige a instituição, enquanto o conflito israelense se intensifica.

Uma jornada emocional

No filme, a protagonista Manar Wahhab, fundadora da escola, é vista em um momento de vulnerabilidade, emocionando-se em um canto da sala de aula. A diretora Marjolein Busstra, ao comentar sobre a escolha de filmar esses momentos difíceis, afirmou: “Queria que o público estivesse lá com eles”.

Wahhab e seu marido, Milad Vosgueritchian, estabeleceram a House of Hope Vision Kindergarten & School em al-Eizariya, onde adotam a filosofia Waldorf de resistência não violenta, proporcionando às crianças um espaço seguro para expressar suas emoções e lidar com o trauma da ocupação.

Educação como ato de resistência

A proposta da escola é preservar a dignidade das crianças e oferecer um ambiente que permita que elas se sintam livres e criativas. “A escola foi criada para oferecer amor, segurança, criatividade e cura”, disse Wahhab. Para ela, a filosofia Waldorf é essencial em tempos de crescente violência. “Não vejo a não-violência como fraqueza. Na verdade, acredito que requer coragem e paciência”, afirmou.

O documentário, produzido pela Think-Film, leva o espectador a uma reflexão profunda sobre a vida sob ocupação. Busstra passou três anos acompanhando Wahhab, realizando nove viagens à Cisjordânia e capturando a essência da luta diária da educadora e sua família.

Após a incursão do Hamas em Israel em 7 de outubro de 2023, a situação se agravou para Wahhab e seus alunos. “Após esse dia, tudo ficou mais pesado. Eles estavam tão desanimados, como se tivessem perdido toda a esperança”, relatou Busstra.

Wahhab, que se mostrou disposta a compartilhar sua vida com a equipe, destacou a importância de ser autêntica: “Eu estava representando não apenas a mim, mas também minha comunidade e a voz dos palestinos”.

O filme, que venceu o prêmio de melhor documentário internacional no Hot Docs Canadian International Documentary Festival em maio de 2026, foi recentemente exibido na UNESCO em Paris e será apresentado no Festival de Cinema Árabe de Jerusalém. “Embora nossa história esteja profundamente enraizada na Cisjordânia, sua mensagem é universal”, concluiu Wahhab.