Trabalhar, estudar e ainda encontrar tempo para a família são desafios cotidianos enfrentados por muitas mulheres. Em São Carlos, interior de São Paulo, duas estudantes compartilham suas experiências de luta e superação.
Maria Aparecida de Jesus, de 47 anos, e Verônica Tofoli Curtulo, de 22, ilustram como a sobrecarga pode impactar a saúde mental e emocional. A pressão por dar conta de todas as responsabilidades é um tema recorrente, como aponta uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que revela que metade das jovens brasileiras vive uma rotina de dupla ou tripla jornada aos 18 anos.
Desafios e Sacrifícios
Maria, que adiou seus próprios sonhos para sustentar a família, agora busca realizar suas aspirações acadêmicas. “Eu consegui realizar esse sonho fazendo meus filhos estudarem. Depois dos filhos crescidos, casados, falei que chegou a minha vez”, afirma. Ao trocar o emprego pela sala de aula, ela se deparou com novos desafios, como aprender a utilizar um computador. Apesar da intensidade de sua rotina, que inclui estágio durante a semana e trabalho nos finais de semana, ela se mostra determinada: “O importante é viver intensamente. Eu quero fazer uma pós, quero dar continuidade, quero incentivar também as pessoas a estudar”, diz.
Verônica também enfrenta uma rotina exaustiva, conciliando estágio, trabalho em uma loja de cosméticos e a faculdade. “Minha rotina é bem loucura mesmo. Preciso de 48 horas para dar conta de tudo”, confessa. Além de suas obrigações, ela ainda ajuda a mãe a cuidar do irmão, o que aumenta a pressão sobre seus ombros.
Impactos na Saúde Mental
A psicóloga Mariana Miranda Corcetti Dotto destaca os riscos da sobrecarga feminina. Segundo ela, muitas mulheres podem ignorar os sintomas de estresse e cansaço, o que pode levar a problemas mais graves, como o burnout. “Essas pessoas correm o risco de futuramente ter um burnout e até doenças psicossomáticas, como aumento de ansiedade e depressão”, alerta.
A Síndrome de Burnout, conforme o Ministério da Saúde, é um distúrbio emocional resultante de trabalho excessivo, com sintomas de exaustão extrema. Além disso, o burnout materno é um fenômeno crescente, caracterizado pelo cansaço excessivo e sintomas como irritabilidade e depressão.
Enquanto o apoio ainda é escasso em proporção ao esforço que elas dedicam, muitas mulheres continuam a equilibrar suas rotinas. “Mesmo que a rotina seja muito difícil, é fundamental que essas mulheres não percam os autocuidados e busquem uma rede de apoio”, finaliza a psicóloga.
As histórias de Maria e Verônica refletem a realidade de muitas mulheres brasileiras, que lidam com a pressão de atender a múltiplas demandas, buscando um espaço para seus próprios sonhos.
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