Cuidar de um familiar com Alzheimer é uma realidade para muitas mulheres, como é o caso de Maria Edileuza da Silva, que enfrenta diariamente os desafios impostos pela doença. A reportagem do Fantástico revelou que essa experiência é comum entre diversas mulheres que lidam com a doença em suas famílias ou profissões.

Predominância feminina no Alzheimer

Estudos apontam que o Alzheimer pode começar a se desenvolver nas mulheres por volta dos 45 anos. A neurocientista italiana Lisa Mosconi, que teve a avó diagnosticada com a doença, lidera uma pesquisa na área e afirma que duas em cada três pessoas com Alzheimer são mulheres. Essa disparidade, segundo ela, não se deve apenas à expectativa de vida mais longa das mulheres.

As oscilações hormonais, especialmente durante a perimenopausa e a menopausa, têm um papel significativo no desenvolvimento da doença. O estrogênio, hormônio crucial para a saúde cerebral feminina, desempenha várias funções, como melhorar o fluxo sanguíneo e ter propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Com a diminuição de seus níveis, o cérebro perde essa proteção, conforme explicou Mosconi.

Início precoce da doença

Tradicionalmente, o Alzheimer era visto como uma doença relacionada à velhice. No entanto, a compreensão atual sugere que a patologia pode começar a se manifestar de forma silenciosa muito antes dos sintomas visíveis. Mosconi enfatiza que o Alzheimer não é exclusivo da terceira idade, mas pode iniciar na metade da vida, com sinais podendo surgir a partir dos 50 anos ou até antes.

O neurocientista brasileiro Mychael Lourenço destaca que já existem exames capazes de identificar alterações iniciais associadas à doença. Esses testes, que detectam marcadores no sangue, foram aprovados nos Estados Unidos e podem estar disponíveis no Brasil em breve, representando um avanço significativo na detecção precoce do Alzheimer.

Prevenção e cuidados

Para Mosconi, a redução do risco de Alzheimer envolve um conjunto de cuidados com a saúde. Entre as recomendações estão a reposição hormonal para mulheres sem contraindicações, a prática regular de atividades físicas, uma alimentação equilibrada, e a redução do estresse e do consumo de álcool e tabaco.

Ela também alerta sobre os efeitos negativos do estresse, que pode elevar os níveis de cortisol, prejudicando a memória e o humor. Mychael Lourenço complementa que as novas descobertas devem ser vistas como um incentivo à mudança de estilo de vida, em vez de motivo para temor.

Histórias de mulheres que adotam hábitos saudáveis, como Maria do Socorro Leal, de 90 anos, que continua ativa no trabalho e acredita na importância de cuidar da saúde, ilustram a busca por uma vida plena. Enquanto isso, as pesquisas sobre a prevenção do Alzheimer em mulheres seguem avançando, com a expectativa de encontrar estratégias específicas para mitigar os riscos da doença.