Uma pesquisa conduzida por Hakseung Shin, professor da Escola de Turismo da Universidade Hanyang, revelou que a ligação entre os preços de acomodações e o consumo de recursos pode incentivar turistas a adotarem comportamentos mais sustentáveis. O estudo, publicado nas Annals of Tourism Research, sugere que a precificação baseada em carbono pode ser uma estratégia eficaz para reduzir as emissões de carbono associadas ao turismo.

Tradicionalmente, hotéis têm incentivado práticas sustentáveis, como a reutilização de toalhas e a limitação de trocas de roupas de cama. No entanto, programas voluntários de sustentabilidade muitas vezes enfrentam dificuldades em promover mudanças comportamentais duradouras. A nova abordagem proposta pela pesquisa conecta diretamente o impacto ambiental da estadia ao que os viajantes pagam.

Resultados da pesquisa

Os pesquisadores descobriram que os turistas demonstraram maior propensão a adotar comportamentos ambientalmente amigáveis quando os preços das acomodações estavam relacionados ao consumo de recursos. O estudo revelou que a precificação baseada em carbono aumentou as intenções de conservação de energia e água, especialmente quando os custos ambientais eram apresentados como cobranças separadas e quando o consumo excessivo resultava em sobretaxa, ao invés de recompensas.

Shin destacou que “desafios de sustentabilidade difíceis não podem ser resolvidos apenas por apelos morais ou regulamentações. Em vez disso, devem ser abordados por meio do capitalismo verde — políticas ambientais que alinham objetivos ecológicos com incentivos de mercado”.

Implicações para o setor de turismo

A equipe de pesquisa conduziu três experimentos utilizando cenários realistas de reservas em hotéis e locações de curto prazo, testando como diferentes estruturas de preços influenciavam as intenções dos participantes em conservar recursos durante a estadia. Os resultados mostraram que a precificação baseada em carbono consistentemente aumentou as intenções de comportamento pró-ambiental.

Participantes que estavam cientes de que o consumo excessivo poderia aumentar seus custos relataram intenções mais fortes de conservar recursos. Além disso, incentivos de preços com desconto geraram intenções de conservação comparáveis às tarifas adicionais por consumo excessivo.

O estudo também evidenciou que a forma como os custos ambientais são apresentados é crucial. Os participantes reagiram de maneira mais contundente quando um consumo elevado resultava em uma cobrança adicional, em comparação a quando um consumo menor resultava em um desconto equivalente. Custos ambientais separados geraram respostas mais fortes do que aqueles incluídos em um preço total, sugerindo que a visibilidade dos custos ambientais pode aumentar sua influência nas decisões dos consumidores.

Os pesquisadores acreditam que sistemas de precificação baseados em carbono podem se tornar cada vez mais relevantes à medida que tecnologias inteligentes facilitam o rastreamento do consumo individual de recursos. A abordagem poderia integrar considerações ambientais nas decisões de viagem cotidianas, apoiando a transição para um setor de turismo de baixo carbono. “Nos próximos 5 a 10 anos, avanços em tecnologias inteligentes e rastreamento de carbono podem tornar a precificação personalizada comum no turismo”, afirmou Shin.

Vale ressaltar que o estudo utilizou cenários de reservas hipotéticas e mediu intenções comportamentais, não comportamentos reais. Estudos futuros serão necessários para determinar se esses efeitos se traduzem em configurações turísticas do mundo real.