Alexandra Gurgel, influenciadora e jornalista de 37 anos, foi uma das principais vozes do movimento body positive no Brasil, mas decidiu se afastar e agora planeja emagrecer. Em entrevista à DW, ela explicou que muitas pessoas interpretaram erroneamente o conceito de amor próprio, o que a levou a repensar sua trajetória.
Trajetória e Mudanças
Alexandra fundou o Corpo Livre, uma versão brasileira do movimento, e se tornou uma referência ao expor seu corpo gordo nas redes sociais. Ela lançou livros, foi capa de revistas e deu palestras sobre a luta contra a gordofobia. No entanto, há dois anos, decidiu mudar sua abordagem, optando por compartilhar histórias sobre relacionamentos em vez de continuar com a militância.
“A militância é exaustiva e me fez repensar tudo o que fazia até então”, disse Gurgel. Ela mencionou que, com o avanço das canetas emagrecedoras, agora se sente mais segura para iniciar um processo de perda de peso.
Reflexões sobre o Ativismo
Durante a entrevista, Gurgel refletiu sobre sua ascensão no movimento e os desafios enfrentados. “Eu comecei a me tornar a militante perfeita, que não podia errar”, afirmou. A influenciadora ressaltou que, inicialmente, não conhecia os termos gordofobia e body positive, e que sua jornada começou em busca de semelhantes.
Ela também comentou sobre a pressão de ser uma referência e a dificuldade de se sentir livre para errar. “Quando você é militante e erra, você se torna alvo de críticas severas”, disse. Gurgel afirmou que, ao deixar a militância, se sentiu aliviada, embora tenha sentido culpa por um tempo.
Sobre suas antigas crenças, ela admitiu que uma das coisas que se arrepende é de ter afirmado que a obesidade não era uma doença. “Eu falava que obesidade é uma palavra gordofóbica. E eu não acho mais isso hoje”, explicou.
Críticas e Reações
Gurgel também abordou as críticas que recebeu por ter lucrado com o movimento e por agora querer emagrecer. “Sim, a gente ganhou muito dinheiro. Isso fazia parte do nosso trabalho”, disse. Ela destacou que o movimento não acabou, mas que a luta por aceitação e liberdade continua.
“Quando você vê pessoas gordas emagrecendo, aqueles que não entendem essa pauta falam que o body positive acabou, mas não acabou. Na verdade, todo mundo queria ter uma chance de viver, de aparecer, de ser livre”, concluiu.
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