A Fifa anunciou um plano para vender participações da Copa do Mundo e de outras competições a investidores privados, criando uma nova empresa que controlaria os principais torneios masculinos e femininos da entidade.
A proposta foi revelada em um relatório do jornal The Times e gerou reações imediatas, incluindo uma forte oposição da UEFA, que se manifestou na terça-feira (28.jul.2026). A entidade europeia afirmou que a iniciativa "cruza uma linha que as instituições dirigentes do futebol jamais deveriam cruzar".
A nova empresa, denominada FFE (Fifa Forward Enterprise), teria um valor inicial estimado em cerca de US$ 20 bilhões. A Fifa deteria a participação majoritária, enquanto investidores privados poderiam adquirir de 20% a 30% das ações, totalizando bilhões de dólares.
As 211 associações-membro da Fifa receberiam participações individuais, que totalizariam aproximadamente 20% do capital da nova empresa. Cada associação teria uma participação avaliada em cerca de US$ 20 milhões, podendo optar por mantê-la ou vendê-la para gerar receita própria.
O plano também prevê que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, assuma o cargo de "comissário" ou diretor-executivo da nova entidade após o término de seu último mandato, em 2031. Embora a remuneração para essa posição não tenha sido confirmada, fontes próximas ao projeto estimam que poderia ser equivalente ao salário do comissário da NFL, Roger Goodell, que recebe cerca de US$ 64 milhões por ano, um montante dez vezes maior que o salário atual de Infantino.
A Fifa, em nota, negou que o papel de Infantino na nova estrutura tenha sido discutido, afirmando que "isso nunca foi discutido" e que a liderança da entidade deve ser mantida para garantir o controle sobre qualquer subsidiária da Fifa.
UEFA CRITICA PLANO
A UEFA destacou em sua nota oficial que o plano "cruza uma linha que as instituições dirigentes do futebol jamais deveriam cruzar". A entidade enfatizou que a governança do futebol não deve ser tratada como um ativo negociável, especialmente sem transparência sobre quem se beneficiaria financeiramente. "Nenhum de nós é proprietário do futebol. Ele não é da Fifa para ser vendido".
O jornal britânico também informou que uma reunião de emergência das associações europeias está prevista para discutir respostas à proposta, incluindo a possibilidade de um boicote à Copa do Mundo.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, se manifestou contra o plano, afirmando em seu perfil oficial no X que "o futebol não pertence a investidores. Ele pertence às pessoas que lotam as arquibancadas e que ficam à beira do campo semana após semana, com chuva ou com sol".
Além disso, o ex-presidente da Fifa, Sepp Blatter, criticou a proposta, afirmando que a relação entre o presidente da Fifa e o presidente dos EUA está prejudicando o futebol. Blatter declarou que "ninguém tem o direito de vender o nosso esporte".
Segundo a reportagem, fontes próximas ao governo do ex-presidente Donald Trump foram consultadas sobre o projeto, e a Fifa confirmou que a Thrive Capital, de Joshua Kushner, deve liderar o grupo de investidores, com o banco JP Morgan atuando como assessor financeiro no processo.
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