A FIFA anunciou um plano para vender participação de até 20% na Copa do Mundo e em outros eventos, provocando uma reação negativa da UEFA, entidade que regula o futebol na Europa. A proposta foi revelada na terça-feira, e busca a criação de uma subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões para administrar a Copa do Mundo, entre outros torneios.

Detalhes da Proposta

Segundo a proposta, a FIFA manterá a maioria das ações da nova FIFA Forward Enterprise, enquanto oferecerá participações minoritárias a investidores externos, com o objetivo de arrecadar até US$ 4,2 bilhões. Esta iniciativa ainda precisa ser aprovada pelas 211 federações membros da FIFA.

Se aprovada, o grupo de investidores deverá ser liderado por uma empresa fundada por Joshua Kushner, irmão do genro do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A FIFA justifica a proposta como uma forma de aumentar os recursos para ampliar o acesso ao futebol e fortalecer a participação global, afirmando que todos os benefícios líquidos serão reinvestidos no esporte.

Reação da UEFA e Críticas

A UEFA expressou sua indignação, afirmando que a proposta "ultrapassa uma linha que as instituições do futebol nunca deveriam cruzar". Em comunicado, a entidade destacou que todos os envolvidos no futebol, incluindo associações nacionais, ligas, clubes e torcedores, devem levar a sério essas novas propostas. A UEFA defende que a alma e a governança do futebol não devem ser tratadas como ativos comerciais, especialmente sem transparência sobre quem se beneficiará financeiramente.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, também se manifestou contra a proposta, afirmando que o esporte não pertence a investidores. Em uma postagem nas redes sociais, Burnham afirmou: "A Copa do Mundo não é um produto. É a maior competição do esporte mundial, e nunca foi de ninguém para vender".

Contexto e Implicações

A FIFA recentemente organizou a Copa do Mundo de 48 equipes nos Estados Unidos, Canadá e México, o que foi considerado um marco na história do torneio. A entidade é uma das organizações esportivas mais ricas do mundo, gerando bilhões em receita, principalmente por meio de direitos de transmissão, patrocínios e outros acordos comerciais relacionados ao evento.

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu a proposta, afirmando que o futebol é o esporte mais popular do mundo e que a organização visa garantir que o crescimento comercial beneficie o esporte como um todo. Ele afirmou que o objetivo da FIFA é apoiar o desenvolvimento sustentável e inclusivo do futebol em todas as partes do mundo.

Com a proposta, a divisão entre a FIFA e a UEFA se aprofunda, com a Europa se posicionando como guardiã do futebol, enquanto a FIFA, uma organização sem fins lucrativos, busca ampliar o acesso ao esporte por meio de investimentos financeiros.