A fumaça proveniente de incêndios florestais devastadores no Canadá está se espalhando por uma vasta área do Meio-Oeste e do Nordeste dos Estados Unidos nesta semana, levando diversas cidades da região a emitir alertas sobre a qualidade do ar.
Os níveis extremos de fumaça indicam que mesmo adultos saudáveis devem tomar precauções para proteger sua saúde. A crescente severidade dos incêndios florestais em todo o continente, impulsionada em parte pelas mudanças climáticas, significa que até mesmo locais onde não há chamas em curso estão sofrendo as consequências.
Incêndios e impactos na qualidade do ar
Mais de 100 incêndios estão fora de controle no Canadá, com centenas de outros sendo monitorados ou combatidos. A fumaça se deslocou para o sul e leste, tornando os céus nebulosos de Minnesota a Nova York. Imagens impactantes surgiram de Toronto, onde os trabalhadores enfrentaram uma manhã sob céus alaranjados. A região também está lidando com uma onda de calor, com temperaturas superando 32 graus Celsius em muitas áreas.
Na quarta-feira à noite, o índice de qualidade do ar em Nova York alcançou 180, colocando a cidade na categoria “não saudável”, segundo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA. Outros locais enfrentaram condições ainda piores, como Duluth, Minnesota, onde o AQI ultrapassou 500. (Qualquer valor acima de 301 é classificado como “perigoso” e considerado inseguro para todos.) Espera-se que as condições de fumaça piorem em partes do Nordeste dos EUA na quinta-feira, incluindo Nova York.
Riscos à saúde e recomendações
A fumaça dos incêndios contém partículas microscópicas conhecidas como PM2.5, que são menores que 2,5 micrômetros. A exposição a essas partículas pode desencadear ou agravar uma série de condições médicas, especialmente em populações vulneráveis. Nicholas Nassikas, pneumologista e professor assistente de medicina na Harvard Medical School, recomenda que pacientes com condições pré-existentes, como asma ou doenças pulmonares, limitem seu tempo ao ar livre. Ele ressalta que crianças e idosos estão entre os mais afetados.
Jennifer Stowell, professora assistente da Escola de Saúde Pública da Universidade de Maryland, sugere que até mesmo adultos saudáveis tomem precauções em dias com AQI acima de 100, recomendando o uso de máscaras N95 para quem precisa ficar ao ar livre por longos períodos. Em Boston, onde o AQI atingiu 110, Stowell optou por não participar de eventos externos até o final do dia.
Dan Westervelt, professor associado de física climática na Universidade de Columbia, também se mostra cauteloso, afirmando que manterá seus filhos dentro de casa e evitará atividades físicas. Ele destaca que as mudanças climáticas estão prolongando a temporada de incêndios e criando condições mais quentes e secas que favorecem incêndios mais explosivos.
Pesquisas indicam que a fumaça de incêndios florestais já causa cerca de 40 mil mortes anuais nos EUA e esse número pode mais que dobrar até 2050 se o aquecimento global continuar. Além disso, a exposição prolongada à poluição do ar está associada à redução da expectativa de vida.
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