Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) revela que 94% das indústrias que recorreram aos Fundos Constitucionais de Financiamento (FCFs) contrataram crédito entre 2022 e 2025, atraídas pelas taxas de juros reduzidas. No entanto, 4 em cada 10 empresas ainda não têm conhecimento sobre essa política pública.
O estudo, divulgado nesta quarta-feira (15.jul.2026), destaca que, apesar do apelo financeiro, a burocracia e as exigências de garantias permanecem como os principais obstáculos para o acesso aos recursos.
JUROS COMO PRINCIPAL ATRATIVO
Os fundos constitucionais, que são financiados por impostos com o objetivo de fomentar o desenvolvimento das regiões Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO), apresentam uma alternativa ao mercado de crédito tradicional. Enquanto o custo elevado do financiamento é frequentemente um desafio para as indústrias, nos FCFs, as taxas de juros se destacam como o principal atrativo.
Além da taxa de juros, 56% das indústrias mencionaram os prazos de pagamento e de carência como fatores que influenciaram a decisão de contratar o financiamento. Outros 24% destacaram a relação prévia com as instituições financeiras como um ponto positivo.
“As taxas de juros costumam ser o maior entrave para a obtenção de crédito no país. A pesquisa mostra que a política pública tem conseguido sanar esse gargalo”, afirma Julia Dias, analista de Políticas e Indústria da CNI. Ela observa que ainda há oportunidades para melhorar a competitividade das linhas de crédito destinadas à indústria, que seguem sendo mais caras do que as disponíveis para o setor rural.
DESCONHECIMENTO E BUROCRACIA
Apesar do interesse demonstrado pelas indústrias, o levantamento revela dificuldades em diversas etapas do processo de contratação. Quase 38,1% das empresas afirmam desconhecer a existência dos FCFs. Entre aquelas que conhecem a política, mas não solicitaram financiamento, 38,5% desistiram devido à burocracia ou à demora na análise dos pedidos.
Das empresas que buscaram crédito, 38% consideraram as garantias exigidas pelos bancos como excessivas.
RECURSOS FINANCIAM INVESTIMENTOS
A pesquisa indica que os financiamentos têm sido predominantemente utilizados para investimentos de longo prazo. A compra de máquinas e equipamentos foi o principal destino dos recursos para 56% das empresas, enquanto 22% utilizaram os fundos para modernizar ou ampliar fábricas e armazéns. Apenas 18% destinaram o crédito exclusivamente ao capital de giro.
O impacto dos financiamentos foi considerado positivo por 88,6% das empresas beneficiadas, que apontaram resultados como a modernização da produção, a expansão da capacidade instalada e a geração de empregos. Apenas 5,4% afirmaram ter utilizado os recursos para recuperação financeira.
SATISFAÇÃO
O levantamento também revelou que 52% das indústrias conseguiram contratar o valor exato necessário. O percentual de empresas que tentaram obter financiamento e não conseguiram foi de 10%, uma taxa inferior à observada em outras modalidades de crédito empresarial.
Um total de 68% dos entrevistados expressaram satisfação com os fundos constitucionais, destacando as taxas de juros (56,3%) e o atendimento (40,6%) como os principais motivos para essa avaliação positiva. Entre os 24% que relataram insatisfação, metade atribuiu a avaliação negativa ao atendimento e aos prazos de carência.
METODOLOGIA
O levantamento da CNI em parceria com o MIDR ouviu 147 empresas industriais entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, analisando operações realizadas nos três anos anteriores. O estudo faz parte de um acordo de cooperação para aumentar a participação da indústria nos fundos constitucionais.
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