O acadêmico John L Esposito, reconhecido por seu trabalho na Georgetown University, faleceu em 15 de julho de 2026, devido a complicações decorrentes de uma cirurgia cardíaca. Ele foi uma figura proeminente que publicou mais de 55 livros, principalmente pela Oxford University Press, com traduções em diversas línguas. Sua obra teve um impacto profundo no estudo moderno do Islã e das sociedades muçulmanas, especialmente nas relações entre Islã e Ocidente, em momentos críticos após a Revolução Iraniana de 1979 e os atentados de 11 de setembro.
Início e formação acadêmica
John nasceu em 1940 em uma família de classe trabalhadora de origem ítalo-americana, em Brooklyn, Nova York. Influenciado por sua mãe católica devota e pelo compromisso social de seu pai, ele inicialmente aspirou a se tornar sacerdote e ingressou na Ordem dos Capuchinhos. No entanto, abandonou o seminário antes da ordenação e optou por seguir a carreira acadêmica, obtendo um doutorado em estudos religiosos na Temple University sob a orientação do falecido estudioso palestino-americano Ismail al-Faruqi.
Desafios no mercado de trabalho
Ao entrar no mercado de trabalho em 1974, Esposito enfrentou dificuldades, pois havia apenas uma vaga anunciada na área de estudos islâmicos. O estudo do Islã era negligenciado em muitas instituições de ensino superior, e programas de relações internacionais frequentemente ignoravam o papel da religião nos assuntos globais. Sua paixão por contar histórias o levou a refletir sobre sua carreira, onde frequentemente brincava que sua sobrevivência profissional era devida a dois muçulmanos “radicais”: o aiatolá Khomeini e Osama bin Laden.
A crescente atenção ao Islã e à política no Ocidente, especialmente após a Revolução Iraniana e os ataques de 11 de setembro, fez com que sua expertise se tornasse altamente requisitada. Ele publicou obras inovadoras que exploravam a relação entre Islã e política, os ideais normativos do Islã e as estruturas sociais e políticas diversas das sociedades muçulmanas, tornando-se uma voz frequente na mídia e um consultor para governos.
Contribuições e legado
No entanto, o interesse ocidental pelo Islã estava muitas vezes ligado a ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos, o que dificultou uma compreensão livre e imparcial do tema. Esposito desafiou representações errôneas do Islã e dos muçulmanos, promovendo uma análise baseada na experiência do mundo muçulmano, em vez de uma abordagem normativa ocidental.
Seu trabalho sobre o Islã político foi pioneiro, concentrando-se nas condições sociais e aspirações coletivas que tornavam o Islã político atraente. Em vez de se fixar na implementação da “Sharia”, Esposito enfatizava a busca por dignidade, justiça e autodeterminação, características fundamentais que conferiram resiliência ao Islã político.
Esposito deixa sua esposa, Jean Esposito, com quem foi casado por 61 anos, e um legado que influenciou gerações de estudiosos e a compreensão das relações Islã-Ocidente. Seu impacto no campo é amplamente reconhecido e inestimável.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.