No contexto da repressiva ditadura da Coreia do Norte, desertores relatam como o K-pop, especialmente grupos como BTS, se tornou um símbolo de liberdade e resistência cultural. Lee Yeon-su, que fugiu para a Coreia do Sul, compartilha sua experiência de assistir a shows e como isso contrasta com sua vida anterior no "Reino Eremita".

A vida sob o regime norte-coreano

Lee Yeon-su, que nasceu na Coreia do Norte, recorda que a participação em eventos era restrita e que a cultura sul-coreana era vista como uma ameaça. "Você precisava ser selecionada para participar dos eventos e, se não fosse, tinha que ficar em casa com as cortinas fechadas", afirma. Desde sua fuga em 2011, ela se deparou com um mundo onde a música e a escolha de ídolos são livres.

O impacto do K-pop

Desertores como Yeon-su relatam que, mesmo na clandestinidade, o K-pop conseguiu penetrar na Coreia do Norte. Hannah Oh, uma desertora de 25 anos, menciona que os norte-coreanos se tornaram fãs de grupos como BTS e Blackpink, apesar do regime que proíbe a cultura do sul. "A Coreia do Norte é um lugar onde todo o sistema foi concebido para que só possa haver uma celebridade, um ídolo: Kim Jong-un", diz.

Para muitos, a descoberta do K-pop foi um alívio. Kang Gyu-ri, que fugiu em 2023, menciona que a música "Dynamite" do BTS chegou a seus ouvidos mesmo sendo em inglês. "A melodia era tão boa que fazia você se emocionar. Todo mundo acompanhava", relembra.

A música sul-coreana, com suas letras de esperança e celebração, contrasta fortemente com a música norte-coreana, que muitas vezes é centrada em temas políticos. Para Gyu-ri, a música do Teen Top e de Girls' Generation se tornaram referências, e as danças e coreografias rapidamente se popularizaram entre os jovens norte-coreanos.

Um novo mundo de liberdade

Ouvir K-pop era um ato de rebeldia. Hannah Oh recorda que, quando adolescente, carregava cartões SD com músicas sul-coreanas, sempre pronta para se livrar delas caso fosse descoberta. O medo de ser pega assistindo a conteúdos do sul era constante, e as consequências podiam ser severas, incluindo a exposição pública e punições.

O K-pop não apenas trouxe um novo estilo musical, mas também se tornou um meio de autodescoberta e libertação para muitos que conseguiram escapar da opressão. Para os desertores, a música sul-coreana representa um vislumbre de um mundo onde a liberdade de expressão e a individualidade são valorizadas.