A Livraria Cultural, localizada na Barão do Rio Branco, em Anápolis, celebra 27 anos de atuação e se adapta às transformações do comércio no Centro da cidade. O proprietário e cofundador, Adevenir Sezil, compartilha os desafios enfrentados ao longo do tempo e as estratégias adotadas para manter o negócio relevante.

Desafios e mudanças no comércio local

Com um espaço consolidado entre as livrarias mais tradicionais do município, a Cultural se destaca em um cenário onde o comércio do Centro passou por significativas transformações. Adevenir observa que, ao longo dos anos, muitos estabelecimentos tradicionais fecharam as portas, enquanto shoppings populares se tornaram mais comuns. “Mudou bastante o tipo de comércio do Centro”, afirma.

A história da livraria começou em agosto de 1999, quando Adevenir e seu cunhado decidiram abrir o negócio em Anápolis, buscando oferecer uma variedade de produtos culturais. Inicialmente, a livraria focava na venda de livros, especialmente em períodos que antecediam o retorno às aulas, quando o movimento era intenso. Com o tempo, a mudança no uso de livros didáticos nas escolas impactou diretamente as vendas, levando a livraria a diversificar seu estoque.

Reinvenção e adaptação

Para se manter competitiva, a Livraria Cultural passou a oferecer uma gama diversificada de produtos, incluindo mangás, discos de vinil e CDs. Adevenir destaca que a inovação foi crucial: “Estamos sempre tentando algo novo para agregar”, comenta. Entre os produtos que fizeram sucesso estão camisetas de bandas de rock e figuras de ação, embora algumas categorias tenham sido descontinuadas ao longo do tempo.

Apesar dos desafios impostos pela digitalização e a concorrência com plataformas online, como a Estante Virtual, a livraria continua a buscar alternativas. “Temos os livros usados, que às vezes conseguimos ter uma certa condição de competir”, explica Adevenir, ressaltando a importância de entender o mercado para se adaptar a ele.

Revitalização do Centro de Anápolis

Com o passar dos anos, Adevenir percebeu que o Centro de Anápolis foi se tornando menos atrativo, à medida que muitos lojistas migraram para outras regiões. Ele defende a revitalização do Setor Central como uma medida necessária, mas aponta que a iniciativa deve ser liderada pelo Poder Público, com a participação dos comerciantes locais. “A revitalização é interessante e essencial”, conclui.

A trajetória da Livraria Cultural exemplifica a resiliência e a capacidade de adaptação de um negócio familiar que, mesmo diante de dificuldades, continua a oferecer cultura e entretenimento à população de Anápolis.