
Apesar de comporem 53% do eleitorado e 47% das filiações partidárias no Brasil, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de junho de 2023, a presença feminina nas lideranças de partidos políticos é notavelmente reduzida.
Quatro presidentes em 30 partidos
Atualmente, entre as 30 legendas registradas na Justiça Eleitoral, apenas quatro são presididas por mulheres: Suêd Haidar (Democratas), Paula Coradi (Psol), Renata Abreu (Podemos) e Nádia Campeão (PCdoB, interinamente).
No estado de Goiás, a situação é semelhante, com apenas quatro partidos tendo mulheres em suas presidências: Adriana Accorsi (PT), Aava Santiago (PSB), Cíntia Dias (Psol) e Lilia Monteiro (Rede Sustentabilidade).
Desafios enfrentados por lideranças femininas
A realidade da baixa participação feminina em posições de poder é agravada por relatos de resistência interna. Adriana Accorsi, deputada federal e pré-candidata à reeleição, denunciou a existência de um “grupo de homens” que tenta pressioná-la a desistir de sua candidatura. Em uma declaração à imprensa no final de junho, Accorsi afirmou que esse grupo “se incomoda com a liderança feminina no partido”.
Adriana Accorsi também mencionou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou interesse em que ela se lançasse como candidata na chapa majoritária, mas que deixou a decisão a seu critério. A deputada decidiu manter sua candidatura à reeleição.

Em sua fala, Accorsi destacou que a subrepresentação feminina na política é uma violação dos princípios democráticos, dificultando a inclusão de pautas relevantes para as mulheres na agenda pública. “Ainda enfrentamos muitas dificuldades com falta de financiamento efetivo para campanhas competitivas”, afirmou.
Aava Santiago, atual presidente do PSB e vereadora em Goiânia, também compartilhou sua experiência de resistência. Após deixar o PSDB, enfrentou um processo por infidelidade partidária, que pode afetar seu mandato. Aava destacou que a liderança feminina é frequentemente questionada e deslegitimada, refletindo a presença de machismo na política.

A deputada ressaltou que a ampliação da presença feminina nos espaços de decisão é crucial para superar essas barreiras. “Muitas vezes, precisamos provar mais, explicar mais e reafirmar nossa capacidade”, concluiu.
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