As mulheres ocupam apenas 29% dos cargos vitalícios no Judiciário, conforme indica a pesquisa “Mulheres na Justiça”, que mapeou a proporção por gênero em tribunais, promotorias e defensorias públicas. O levantamento inclui desembargadoras, procuradoras de Justiça e ministras de cortes superiores e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Desproporção nas instâncias mais altas
A maior desproporção ocorre nas instâncias mais altas. No STF, a participação feminina se limita à presença da ministra Cármen Lúcia entre os dez magistrados que exercem a função. No Superior Tribunal de Justiça (STJ), há apenas seis ministras, o que corresponde a 18% do total. As mulheres também representam menos de um terço dos procuradores da República do Ministério Público Federal.
Entre os 27 Tribunais de Justiça, apenas quatro são presididos por mulheres. E somente três promotoras presidem Ministérios Públicos estaduais. O levantamento foi desenvolvido em conjunto por organizações da sociedade civil especializadas em pesquisas, como Fórum Justiça, JUSTA e Themis.
Iniciativas para mudar o quadro
Algumas dessas organizações começaram a desenvolver iniciativas para enfrentar o problema. A Themis montou uma turma formada por mais de 30 magistradas, promotoras e defensoras públicas para desenvolver novas lideranças, com foco em mulheres negras. O curso terá dez meses de duração.
Já o Fórum Justiça faz a articulação com a sociedade civil e movimentos sociais. A ideia é criar um cenário propício para que mulheres preencham as três novas vagas que serão abertas no STJ, duas por aposentadorias compulsórias e outra por punição ao ministro Marco Buzzi, acusado de importunação e assédio sexual.
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