Noemi Jaffe é escritora, crítica e professora, e sua obra gira há anos em torno da memória e do testemunho, de como se preserva aquilo que alguém tentou apagar. Neste romance, ela empresta a voz a uma mulher real, Nadejda Mandelstam, esposa do poeta russo Óssip Mandelstam.

Nadejda Mandelstam: guardiã da poesia

Nadejda admite que os mais de 20 anos sussurrando não serviram apenas para salvar os poemas do esquecimento; serviram também para continuar perto de Mandelstam. O sussurro é arquivo, mas também é corpo — o jeito que um amor encontrou de não morrer.

Em 1933, Óssip escreveu um poema satirizando Stálin e o leu para um pequeno grupo de amigos. Foi preso, exilado, preso de novo, e morreu em 1938 num campo de trânsito a caminho do gulag. Nadejda passou as décadas seguintes mudando de cidade, sem casa fixa, guardando a obra do marido do único jeito que o regime não conseguia confiscar: decorando. Poema por poema, verso por verso. Papel podia ser apreendido; a memória de uma mulher, não.