O Porto de Rotterdam, localizado na Holanda, é o maior porto de cargas da Europa e está sob crescente pressão para se tornar mais sustentável. Um processo judicial movido pelo grupo ambiental Advocates for the Future afirma que a Autoridade do Porto de Rotterdam não está fazendo o suficiente para eliminar gradualmente a energia baseada em combustíveis fósseis, exigindo um plano concreto para reduzir as emissões de carvão, petróleo e gás.

Roterdã é responsável por cerca de 600 megatoneladas de CO2 por ano, segundo pesquisa da CE Delft, um volume que supera em muito as emissões do maior aeroporto da Holanda, Schiphol. Com cinco refinarias, incluindo a maior da Shell na Europa, o porto também abriga uma densa concentração de indústrias químicas que atendem a fábricas em todo o continente.

Emissões e desafios para a sustentabilidade

Atualmente, o cluster industrial de Roterdã emite cerca de 29 milhões de toneladas de CO2 anualmente, o que representa aproximadamente metade das emissões domésticas da Holanda. Mark van Dijk, chefe de relações externas da Autoridade do Porto, reconhece que essa situação não é ideal. No entanto, a Autoridade do Porto já delineou um plano para reduzir suas próprias emissões e incentivar as empresas a adotarem práticas mais verdes, visando uma redução de 90% nas emissões diretas e de energia adquirida até 2030.

As iniciativas incluem o desenvolvimento de um hub de hidrogênio, investimentos em energia elétrica para que os navios possam se conectar à rede em vez de queimar combustível enquanto estão atracados, e o suporte ao abastecimento de alternativas como GNL, biocombustíveis e metanol. Além disso, há esforços para mitigar as emissões de CO2 com projetos como o Porthos, que visa capturar e armazenar CO2 em campos de gás esgotados.

Responsabilidade e desafios globais

Maikel van Wissen, diretor da Advocates for the Future, argumenta que um porto dessa magnitude não deve apenas gerenciar o fluxo de combustíveis fósseis, mas também usar sua influência para acelerar a transição para operações mais limpas. Ele destaca que uma empresa estatal deve assumir obrigações legais para reduzir as emissões e pede um plano detalhado para eliminar a dependência de combustíveis fósseis.

Oscar van Veen, diretor de inovação da Autoridade do Porto, afirma que estão trabalhando para colaborar com as indústrias poluidoras, tentando eliminá-las gradualmente. No entanto, muitos dos maiores emissores respondem a sedes em outros países, o que limita a influência do porto. Bettina Kampman, da CE Delft, ressalta que a transição de atividades para emissões mais baixas enfrenta desafios, como a necessidade de espaço físico para novos desenvolvimentos e a limitação da infraestrutura elétrica.

Harry Geerlings, professor emérito da Universidade Erasmus de Roterdã, expressa ceticismo sobre a capacidade de uma única autoridade portuária de promover uma transição completa sozinha. Ele aponta que um campo de atuação global e incentivos adequados são essenciais para mudar o comportamento das empresas.

Em meio a essas discussões, Advocates for the Future destaca que, como uma empresa de propriedade pública, a Autoridade do Porto de Roterdã deve ser responsabilizada por padrões mais elevados, solicitando um plano concreto para as atividades baseadas em combustíveis fósseis, não apenas promessas de neutralidade climática até 2050.