O Reino Unido anunciou uma proposta de curfew voluntário nas redes sociais para adolescentes de 16 e 17 anos, como parte de uma iniciativa governamental para proteger os jovens de danos digitais. A medida, que permitirá que os usuários contornem as restrições, foi divulgada na quarta-feira.

A nova proposta estabelece um bloqueio padrão de seis horas, das 0h às 6h, em plataformas como Instagram, TikTok e YouTube. Além disso, mecanismos altamente envolventes, como vídeos em autoplay e rolagem infinita, seriam desativados por padrão para essa faixa etária, visando promover um melhor sono e foco.

Antecedentes da Proposta

A iniciativa segue um anúncio feito em junho pelo primeiro-ministro em saída, Keir Starmer, que revelou uma proibição geral do uso de redes sociais para crianças com menos de 16 anos, prevista para entrar em vigor em 2027. Enquanto a proibição para os mais jovens é rigorosa, o governo optou por uma abordagem mais branda para os adolescentes mais velhos.

Essas restrições no Reino Unido fazem parte de uma crescente onda global contra o acesso das crianças às redes sociais. Em dezembro, a Austrália implementou uma proibição pioneira para menores de 16 anos, que já está sob revisão após estudos mostrarem que muitos adolescentes conseguem contornar as restrições.

Defesa da Medida e Críticas

O secretário britânico para Segurança Online, Kanishka Narayan, defendeu a natureza voluntária do curfew, rejeitando críticas de que os adolescentes desativariam facilmente as restrições. Em entrevista à Sky News, ele afirmou que o governo busca evitar proibições absolutas para os adolescentes mais velhos, optando por um caminho mais gradual em direção à idade adulta.

“Queremos empoderar nossos adolescentes”, disse Narayan, citando dados de um programa piloto e testes anteriores em plataformas, onde mais de 90% dos jovens mantiveram as configurações restritivas ativas. “A base de evidências é clara, a motivação é muito clara, e eu não faria um desserviço aos adolescentes dizendo que todos vão desligar isso.”

No entanto, opositores políticos e defensores da segurança infantil expressaram ceticismo quanto à eficácia da política. Laura Trott, porta-voz de educação do Partido Conservador de oposição, considerou os planos ilógicos. “Ou eles acham que adolescentes de 16 e 17 anos devem estar nas redes sociais ou não, mas curfews que podem ser simplesmente desligados não vão alcançar nada”, afirmou Trott, segundo a agência de notícias Associated Press.

A Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra Crianças, uma importante organização britânica, acolheu a proposta, mas alertou que se trata de uma solução temporária. O diretor executivo, Chris Sherwood, advertiu que, a menos que o governo implemente “medidas mais fortes”, a política será apenas um “curativo” que não aborda os algoritmos viciantes que impulsionam o tempo excessivo de tela.

As propostas ainda precisam ser formalmente legisladas. Como representam algumas das últimas etapas legislativas da administração de Starmer, a responsabilidade pela implementação deve recair sobre seu sucessor esperado, Andy Burnham.